quarta-feira, 6 de maio de 2026

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARABALDES

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARRABAUDES

Antônio Herrero Portilho


O gato Amarelão estava sempre passeando por ali naquela quadra, ele tinha muitos amigos e irmãos de crias variadas, dizem por aí que a mamãe do Amarelão era uma gata super criadeira, muitas farras e gritarias naquelas noites foram feitos pela Gatona mamãe do Maninho e do Amarelão, os telhados do barracão da fábrica de calçados tremiam como terremotos, o resultado sempre se dava em uma redonda barriga, foi de uma dessas crias que nasceu o Amarelão.

 Gatona nem terminava a amamentação de uma ninhada, já estava gestante de mais outros rebentos, havia outros futuros pequenos bichanos prontos para saltar a vida, miando como choro de bebê pedindo leite do peito. Gatona era mesmo uma mamãe incansável nos tratos com seus filhos, mãe dedicadíssima.

 

Maninho nunca foi adotado, sempre padeceu em pleno relento, comia pelas mãos dos de bom coração, mas, há de que dizer, ainda existe corações bons nesse mundo lá dos humanos. Eles viviam ali nas imediações da fábrica de calçados, o gato Maninho as vezes ia para longe, gostava de ficar em cima do muro da casa de dona Clarita, apesar da empregada perversa que trabalhava naquela casa, percebia que os patrões não possuíam nenhuma aversão a qualquer bicho de natureza doméstica, mau Maninho sabia, mas a verdade é que dona Clarita era realmente uma boníssima pessoa, muito caridosa com todos os seres vivos, nuca fez mal a nenhuma criação.

 

No domingo de manhã Maninho estava ali dentro daqueles móveis velhos que se amontoados no terreno vazio, era um ótimo lugar para se esconder e dormir, havia cômodas, guardas roupas, armário de cozinha e tantas outras mobílias próprias para Maninho se esconder e dormir.

 

Logo as sete e trinta minutos começa a passar o povo que se dirigem às igrejas, os cultos vespertinos dará início logo-logo, as senhoras e senhores que estava a caminho, buscava a deus com suas devoções, muitas contas daqueles rosários eram dedilhados mesmo antes de chegar à aqueles templos de reencontros com a divindade maior, enquanto aquelas pernas se apressavam em passos largos, veja quem estava atravessando aquela multidão de sapatos; o Amarelão procurava pelo Maninho e até já sabia onde estava, no terreno baldio e nessas horas da manhã, certeza, ele estará se despertando do sono, Maninho é um gato muito preguiçoso, Amarelão adentrou para o matagal daquele terreno abandonado a fim de encontrar com seu irmão Maninho, logo deu de cara com Maninho se despertando de uma longa noite de sono enroscado em uma gaveta de um dos móveis velhos, só o Amarelão para achar o tal fujão. Depois dos cumprimentos na linguagem de gatos, O gato Amarelão se expõe aos reclames de seu amigo e irmão, haja ouvido para ouvir tantas lamúrias.

 

- E então, como está se sentindo Maninho, parece que você foi atropelado, vejo que você está cheio de indisposição, acho melhor você se levantar para valer dessa cama, vamos bichano, força, precisamos arrumar comida, a nossa vida é feita de lutas, nascemos gatos, assim não temos culpas desse nosso lema.

 

- Ho amarelão, que bom que você veio, fiquei com medo de morrer sem a sua presença, mas você está aí, já posso morrer mais conformado. Disse com palavras e gemidos reclamando das dores nesse pobre esqueleto de gato.

 

- Como foi que aconteceu isso, parece que você caiu do terceiro andar, conte-me que ouve contigo. Perguntou Amarelão.

 

- Foi aquela senhora que trabalha de doméstica na casa de dona Clarita. Eu estava despreocupado quietinho de cócoras em cima do muro, der repente em uma situação impensada recebi uma vassourada de surpresa, quando caí para dentro do quintal, não conseguindo retornar as alturas do muro, recebi vários outros golpes de vassouras em minhas costas, me lembro ainda quando Jacinta dizia: - Te peguei, fazia dias que eu estava querendo te pegar e tome vassouradas nos espinhaços.

 

Felizmente consegui me escapar pelo portão da frente, corri pela calçada até chegar aqui em meio a esses escombros. Dizia Maninho descrevendo tudo ao seu amigo, mas, se derramando em lágrimas.

 

          Ai meu deus dos bichanos, estou todo dolorido de levar vassouradas no meu espinhaço, minha coluna está em pandarecos, dona Jacinta não tem pena de mim, não posso nem subir no muro que as vassouradas comem nas minhas costas, não imagines o tão grande é meu sofrimento, a verdade é que gatos de rua sofre muito, gostaria de ter um lar para morar, uma dona que gostasse de mim. Percebo que a patroa até gosta de mim, um dia desses quando ela estava na lavanderia, eu saltei para o piso daquele quintal, percebi que havia algo comestível caído ali, desci para comer, dona patroa me viu e não reagiu contra mim, era um pedaço de lasanha caído, mas, te digo Maninho, estava limpinho, não como porcarias, aquele piso é mais limpo de que muitas bocas sujas comedora de arroz & feijão que existem por aí, pensei em dona Jacinta, acho que ela nem escova aquela boca fedida, mulher maldita! Estou revoltado com ela.

 

As minhas brigas, e meus espancamentos são desferidos pela empregada Jacinta, senhora revoltada com a vida, briga com deus e todo mundo, a empregada dona Jacinta que é a causa de meus sofrimentos, mulher ruim, ela é apenas a empregada da casa e quer mandar em tudo, eu vivo aqui na torcida para logo ela levar a demissão na cara, que a patroa a mande embora desse serviço por definitivo, que vá procurar o que fazer em outra freguesia., mas vejo que está demorando muito isso acontecer. Está me ouvindo aí gato Amarelão, desculpe-me estou assim descarregando essa minha fúria, você não tem nada com isso e tem que expor esses seus ouvidos para minhas revoltas.

 

- Me desculpe aí meu amigo Maninho, não estou podendo conversar direito, estou com a boca inflamada, me espetei em um espinho de peixe, mas, pelo que já estive sofrendo com esse ferimento, agora já estou bem melhor, só evitar conversar e miar muito, me doe a garganta, mas, vai melhorar logo. Disse Amarelão a Maninho, ambos filhos da mesma mãe, só que de pai diferente nascidos de uma outra cria, Amarelão Maninho e Bigodão são irmãos vivendo nas ruas além das periferias e centros comerciais, Bigodão não é muito citado nessa nossa história porquê é adotado, vive repleto de felicidade, com toda a pompa de gato burguês.

 

Amarelão veio visitar seu amigo irmão para lhe trazer uma boa notícia, mas, até agora mais ouviu que falou, como ele já disse está com a boca machucada, quase sarado, mas evitando se esforçar a voz de gato, é sobre dona Jacinta, Maninho precisa de ouvir essa notícia, ele ficará muito feliz, e assim foi narrando a pequena história a respeito de dona Jacinta.

 

- Eu vou lhe passar um acontecido agora nessa manhã, Jacinta saiu essa manhã para comprar pão, quando voltava da compra percebeu o nosso amigo Gato Preto próximo ao portão de sua casa, ficou muito nervosa com a presença do Gato preto em frente ao portão, não sei se você sabe, dona Jacinta é uma pessoa muito supersticiosa, com a crença dela diz que Gato Preto trás azar, lógico que isso é bobagem.

 

 Narrava a história o amigo do gato Maninho.

 

 - Foi no que deu, saiu na disparada correndo atrás do negro felino, a intenção era mesmo abate-lo, mas, o gato era muito mais esperto que ela, correu, se escapou para o outro lado da rua, Dona Jacinta não conseguiu pegar o gato preto, mas ficou botando fogo pelas narinas de raiva do animalzinho que corria se livrando da morte que a mulher endiabrada poderia lhe causar.

 

- Muito bem!... Palmas para nosso amigo Gato Preto, se eu pudesse daria um prêmio a ele, Gato Preto também é um grande amigo meu, sempre estamos juntos por aí, meu amigo de fé. Disse o gato Maninho repleto de felicidades.

 

Amarelão deixou a parte mais importante para o final da história, foi aí que Amarelão encerrou essa notícia com o fato mais importante, pediu atenção maior ao Maninho para o desfecho final desse recado.

 

- E dona Jacinta, voltou para casa completa de frustração, na correria deixou cair os pães no chão? O que houve com a maldita dos infernos? Perguntou o gato Maninho furioso por ter sido espancado pela megera.

 

O gato Amarelão disse com palavras bem compassadas para seu irmão o gato Maninho entender.

 

- Dona Jacinta estava furiosa por não ter a chance de pega o Gato Preto, tão cólera, cega de raiva, ao atravessar a rua foi colhida por um carro que vinha descendo a rua em alta velocidade, houve algumas fraturas, está internada no hospital, não se sabe se vai andar mais, por enquanto seus movimentos serão em cima de uma cadeira de rodas, fim trágico para dona Jacinta que tanto odiava animais, principalmente gatos.

 

Disse Maninho com are de bondade:

 

- Tenho pena de dona Jacinta, por todo mal que ela me causou, ainda não desejaria isso para ela. Torço para que ela melhore, se cure desses traumas, tenho um pressentimento que ela ainda vai melhorar e nós ainda vamos brigar muito nessa vida.

 

10 de novembro de 2.024

 

 

 

 

 

Os gatos vira latas dos Arrabaldes.

 

PARTE 02

 

Nesses dias  próximos passado,   quando dirigirem os olhares para o telhado de estrutura metálica, poderam presenciar os grupos de gatinhos acocorados sobre aquela cobertura dessa fábrica de calçados, Amarelão e Maninho estava  junto à essa turma de felinos, gostavam de se acomodar sobre essa altura longe da superfície terrestre, digo; andar pelo chão, assim longe dos perigos dos cães ferozes que por ali também transitava, por enquanto todos desmotivado para festinhas, não se ouviam os miados estridente... bem... dessa vez Gatona chegou com uma amiga que arrumou lá do outro lado da vila, além dessa aparência jovial, ela já deu três crias, os filhinho dessa última cria, ainda se encontra na caminha feito ninho, não demorará estarão por aí aprontando travessuras, mas porém ainda viverá comendo pelas mãos de sua mamãe, quando não mamando aquele delicioso leite quente direto do peito materno, sempre estão atentos a espera de sua mamãe na expectativa que a gatinha traga o saboroso leitinho.

 

Entre aquela meia dúzia de felinos ali acomodado, sem fazer nada durante essa noite, agora aparece a amiga de gatona, mais uma para engrossar o coro das gritarias quando estiverem se acasalando.

 

Sobre esse luar claro demostrando toda nitidez, o telhado da fábrica de calçados der repente transformou em uma correria, no começo foram miados simples e tímidos, logo esse namora deu início a grande gritarias, logo gatona soltou o verbo, gritou alto quando estava lado a lado de um outro gato que por ali permanecia nessa noite, infelizmente esses barulhos já começava incomodar os moradores ali das proximidade, já era altas horas, o sono dos moradores dessa rua precisava ser preservados pois muitos daqueles povo teria que se levantar bem cedo para pegar no batente.

 

Der repente uma ducha de água fria foi acionada, uma chuveirada de mangueira esfriou o calor da festinha dos bichanos, todos se dispersaram em correria, apesar do telhado ser um pouco alto, mas os esguichos conseguiu atingir com força, a pressão da água no encanamento público da rua estava forte, ninguém usava as torneiras, foi por isso que esses gatos barulhentos sofreram esse impacto e ficaram molhados e logo dispensaram deixando a cena dos escândalos, Amarelão e Maninho deixaram suas namoradas, desceram pelo galho da árvore que dava acesso ao telhado da fábrica, os outros quatros bichanos ainda ficaram por ali tentando se enxugar se lambendo, retirando o excesso de umidade, a gatona criadeira e a novata mais seus companheiros ficaram por ali mesmos se defendendo dos cachorros de rua que sempre as atacavam até levando perigo de captura e morte, enquanto que Maninho e Amarelão, de passos lentos de rabos tesos seguiram outros caminhos durante essa madrugada.

 

Quando o sol chegou para esses felinos, aí eles começaram enxergar com mais clareza, enquanto caminhavam pela calçada da rua do arrabalde, esses dois irmãos pararam para observar um instante, a perua da fábrica de rações para animais, estacionou ali bem perto desses dois irmãos e companheiros, um dos senhores que dirigia o veículo desceram, retiram dos compartimentos do carro um vasilhame de tamanho assim de uns três quilos mais ou menos, no cantinho do muro, ali onde ninguém pisa, chamaram os bichanos encheram alguns vasilhames de ração, os fabricantes dessa comida para gatos, estavam testando se realmente esses animais gostariam desse produto fabricado feito em teste, logo quando o aroma da ração foram espalhado no ar, apareceram outros três ou quatros gatinhos além de Amarelão e Maninho, até os outros barulhentos que ficaram sobre o telhado, também vieram para esse banquete das primeiras horas dessa manhã, agora a gata criadeira e a mais nova integrante dessa gangue comeram para encher o pandulho, em seguida se dirigiram para o terreno baldio, todos se organizaram para um sono prazeroso, se esconderam entre os móveis velhos amontoados ali nesse terreno de matagais, eles se escondiam dentro das gavetas desses escombros, a partir daí só se despertarão pelos início da tarde no momento que a barriguinha dar sinal de alerta, na hora que serão reabastecidas dessas energias, a fome bater novamente nesses estômagos de gatos.

05-05-25 – Antônio Herrero Portilho

AMARELÃO E MANINHO EM NOVAS AVENTURAS


Enquanto todos dormiam despreocupados nesse ambiente tranquilo, livres de todas as preocupações, mas, nesse mesmo instante acordaram de orelhas atentas para vozes que soava por ali, gente falando em capinar esse terreno, remover esses escombros ali amontoados, os gatos prestaram atenção naquelas falas que em momento combinava com os meninos dizendo que autorizava fazer o campinho de futebol para a diversão dos que interessaria pela prática desse esporte, então ficou afirmado, os meninos limpariam o terreno em troca de construir um campinho de futebol, os gatos ouviu tudo que foram ditos, Amarelão já estava acordado, nesse momento cutucou as costelas desses outros companheiro que ali dormiam sossegados, ainda acordaram a tempo de ouvir aquela prosa, infelizmente teriam que procurarem outras moradas para dormir e descansar, mas continuaram acomodados ali de olhos bem aberto, alguém poderia os enxotar ou até machucar , agora teria que procurar outro abrigo, os móveis velhos seria tirados dali, queimados, a bem da verdade as camas de gatos menos males, mas porem já se percebiam o acúmulo de insetos, cobras, lagartos e uma grande colônia de baratas e outros viventes rastejantes se apropriando desse pedacinho de relva em plena zona urbana, em meio a esses amontoados de tralhas velhas também morada de grande quantidade de besouros lagartas, e lagartos grilos e lagartixas, os gatos não seriam os únicos a serem despejados das posses em abrigos

 

No momento que as vozes silenciaram, que aqueles humanos foram embora, logo se trataram de se retirarem, se puseram de pé, se espreguiçaram fazendo vários tipos de alongamentos antes de por o esqueleto de gato em movimento, Amarelão e seu companheiro e irmão tentavam arrumar um jeito para conseguir morar e se alimentar, pensaram bastante antes de tomar essa decisão, Amarelão e Maninho seguiram em frente, enquanto os outros dois novatos se dispersaram, tomaram outro rumo.

Essa vila; tratava de um parque industrial com moradias dos operários, com estabelecimentos, mercados centro de lazer, igrejas e agremiações religiosas praça esportiva escolas e muitos outros ramos de atividades. Amarelão e Maninho caminhava lentamente por aquelas passarelas tentando se arranchar em qualquer outro lugar, pensaram muito nos lugares que eles já passaram, nas residências e matagais, casa em que dona Jacinta trabalhava de doméstica, nem pensar, aquela senhora tem pavor de gatos disse Maninho – aliás até poderíamos visitar, vê se ela já melhorou dos traumas sofridos da última vez, talvez até não está trabalhando mais na casa de dona Clarita, ou ainda está na cadeira de rodas... então vamos lá, a caminho – Maninho, estou pensando em um lugar bom, certeza que nesses lugar que estou pensando, será nossa morada para nossos descansos, bem... depois eu falo.

 

- Bem... primeiro iremos lá na casa de dona Clarita, só para observar o ambiente... Ha tá, tenho que ressaltar, nosso lugar terá que ser em um lugar que não tenha muitos moleques e cachorros, caso não, não dará certo.

- Então está indo bem o rumo dessa nossa prosa, o lugar que estou pensando, esse senhor mora sozinho, da última vez que passei por lá fui bem recebido, aquele senhor me presenteou com uma tijelinha cheinha de leite morno e saboroso.

Amarelão e Maninho chegaram na casa de dona Clarita, subiram no muro e andaram pelo telhado  germinado com a divisa, observaram para ver como estava indo as coisas, perceberam que dona Jacinta não estava mais trabalhando de doméstica, os gatos ficaram certos que aquela senhora malvada que gosta de judiar os animais não estava mais por lá, isso é bom, certeza que essa nova empregada não é malvada como dona Jacinta, logo vou fazer presença para aí, para perceber se está tudo bem. Terminaram a visita saíram em busca desse novo lugar para ficarem, mesmo que seja alguém que não maltratem animais. Amarelão disse:

- é bem ali, vamos chegar e marcar presença, acho que aquele senhor não fará mal a nós, certeza ele parece muito boa pessoa

Maninho ouviu as palavras de Amarelão e logo ficou sabendo do local que Amarelão se referia, esse endereço aí e do salão paroquial do arrabalde; parque industrial, aquele senhor que amarelão está falando é o religioso que toma conta dessa casa de orações, mora sozinho nos fundos do salão, Maninho disse que também já passou por ali algumas vezes, tem a convicção que ali serão muitos bem tratados.

Esses gatinhos não tinham a consciência da importância que seria aquele dia que amanheceria nessa aurora seguinte, todos os humanos que frequentavam a comunidade já sabiam e quando se sentaram nos bancos para assistirem a missa aguardavam a homilia dita pelo sacerdote sobre a proteção dos animais, no calendário marcava o dia de São Francisco de Assis; o homem que dedicou toda a sua vida de sacerdote amando a natureza e os animais. e assim começou a recitar com palavras compassada de narrativa bem suave:

- Deus nos ordenou para que nós cuidássemos dos animais, que nunca maltratemos os animais doméstico e até os bichos selvagens, cuidar da natureza, preservar as fontes e nascentes.

Assim o discurso foi se prolongando por alguns minutos preciosos, amarelão continuou deitados debaixo da mesa da eucaristia, os animas não conseguiam entender o rumo daquelas informações, os dois gatos só sabiam que referia desse dia comemorativo, já que ninguém os enxotaram, ficaram por ali enquanto  o discurso do sacerdote fazia um longo discurso, Amarelão e Maninho não estava de olhos fechado, observava tudo que acontecia, enquanto que Maninho conseguiu localizar em meio aos irmãos ali presente, uma senhor de cadeira de rodas que acompanhava a missa atentamente, Maninho que já foi vítima dessa senhora que possuía uma aversão ao animal da espécie gato, ainda percebeu que seus olhos de dona Jacinta lagrimejavam pensando na hora que ela tanto maltratava os animais; Maninho que o diga das surras que levou de dona Jacinta, foram tantos golpes de vassouras em seu esqueleto de gato, certeza que agora ela se sente arrependida a ponto de verter em lágrimas, a homilia do sacerdote tocou o coração de dona Jacinta, agora ela afirma consigo mesmo que nunca mais fará mal algum a qualquer animal que seja.

Já estava nos momentos finais da celebração, quando Maninho percebeu uma pomba bem ali do lado de fora, esses dois gatos deixaram seus lugares ali debaixo da mesa da eucaristia e foram perseguir aquela ave, si bem que eles ainda sentiam fome, hoje o sacerdote não teve tempo de atender esses bichanos, deixou para depois da missa, a comidinha desses felinos já estava guardadinha somente para eles pelos caprichos desse religioso.

Os gatos irmãos investiram na captura da pomba, instinto de predador, mas a pequena ave quando percebeu que está sendo observada, mais que depressa voou e entrou debaixo das telhas do salão, os dois amigos gatos, fizeram o mesmo, também entrou para debaixo das telhas foi logo localizando a pomba que no momento estava em um lugar mais baixo, mas dentro do forro desse salão comunitário, nesse local existia um ninho com mais outros filhotes, os dois gatos viram isso como uma grande oportunidade, os dois em comum acordo fizera um salto estratégico simultâneo rápido pra cima da pequena ave, mas o forro era muito fraco, sem estrutura e no momento do impacto não aguentou o peso dos dois felinos pronto para capturar a ave caseira de grande volume de carne, mas porem com a fraca estrutura, tudo foi a baixo, os dois gatos caíram no meio dos fiéis no momento que estava nos finalmente, súbito um grande barulho logo depois da fala que o padre dizia:

Agora volte para sua casa e o senhor os acompanhe.

Dona Jacinta levou um grande susto quando Maninho caiu bem em seus braços.

O senhor vos acompanhe todos disseram - AMÉM

Quando terminou a celebração, o sacerdote retirou os paramentos litúrgicos, dirigia à porta ali do lado, a mesma que dava acesso a casa paroquial, depois que dona Jacinta deixou Maninho no chão, Maninho e Amarelão o acompanhou o padre até onde estava a comidinha para os bichanos as quais o próprio religioso já havia reservado, depois de encher a barriguinha ficaram por ali deitados sob estofados expostos no alpendre.

       Nessas idas e vindas desses gatos por aquelas ruas, um dia desses Maninho e Amarelão toparam com dona Jacinta, agora sem o auxílio da cadeira de roda, andando pisando firme, se curou dos traumas e sequelas.

Amarelão e Maninho fixou estadia na casa paroquial, mas mesmo assim não deixou de encontrar com as famílias de gatos que vivem por ali nas imediações da fábrica de sapatos, as festinhas de acasalamentos continua.


E-mail (antoniob151@outlook.com)

Antônio Herrero Portilho/ 21/05/2025


domingo, 3 de maio de 2026

O DIA DO GALO - Amanhecer na Roça.

 

Amanhecendo na Roça.

(Antônio Herrero Portilho)

 

Nessa madrugada nessa colônia todos acordaram sobressaltados.

O despertador feito ave não deixou ninguém dormir além de seu chamamento, primeiro foi os farfalhar das asas depois um cântico estridente.

Ele soltava o som e apontava o bico para o solo e repetidamente, batia as asas e forçava a garganta com rebeldia como se estivesse dizendo: Eu sou o Rei do terreiro e a mim pertence esse território, aproveitava para emitir alguns cocoricós chamando as dorminhocas que não queria deixar seus lugares nos poleiros.

Ainda estava escuro, mas logo, o sol deixaria tudo as claras.

Aos poucos elas iam descendo de suas acomodações, pondo se ao chão uma após a outra, escarvando como que procurasse o que comer fazendo algazarras com seus cacarejos.

Eram dezenas delas, cada uma possuía uma cor ou aspecto diferente na plumagem; carijós amarelados, outras brancas de topete, com cristas, sem cristas com rabos ou rabicós.

Faziam barulhos simultâneos, dentro de pouco tempo aquele espaço no terreiro ficava repleta dessas galináceas.

Dona Chiquinha acordou no primeiro cantar do galo, mas ainda permaneceu na cama por uns instantes, depois que passou alguns minutos foi atender essas penosas que estavam aclamando por um pouco de alimentos.

Enquanto a água estava para ferver na chaleira, tratou de resolver todas as atividades de costumes assim como, lavar o rosto e tudo que se faz quando se levanta pela manhã, preparou o pó de café e passou no coador, transferindo para o bule, em seguida tomou uma xicara dessa saborosa bebida tipicamente Brasileira manipulada nesse mesmo sítio, dos frutos colhidos ali no cantinho da roça; plantação de cafezal.

Feito isto dona Chiquinha com o avental já posto e amarrado pela cintura pronta para a jornada desse dia que começa, dirigiu-se até o paiol onde estava guardada toda a colheita de milhos desse ano, debulhou alguma meia dúzia de espigas, e quando estava com o colo cheio de grãos caminhou alguns paços e em seguida começou jogar pelo chão deste quintal.

Ela chamava as galinhas fazendo um som na boca pi pi pi pi continuava a jogar os milhos por todos os lugares.

Algumas dessas aves que estavam mais pesadas e mais gordas vinham em disparada correrias, outras até se davam o luxo de arriscar alguns voos de curta distância e se aproximavam para bicar os grãos de milhos espalhados pelo chão.

A franga ródia que estava pronta para sair do ninho depois de longos dias que chocará uma ninhada de ovos seus futuros filhinhos, mas agora já nascera, também se aproximou desse grande banquete e trouxe com ela uma enorme fila de pintainhos piando pedindo abrigo nas asas da mamãe galinha.

Para os pequenos pintinhos dona Chiquinha já havia providenciado uma grande quantidade de quirelas esmiuçada no pilão.

Quando espalhou pelo chão aquele milho quebradinho começou a fervilhar de pintinhos de várias idades até os mais grandinhos insistiam em encher o papo deste alimento para aves em primeiros dias de vida. Sem contar com as pombas rolas que aterrissaram para participar dessa festa que já era de costumes todas as manhãs acontecer.

Quando chegou às sete horas da manhã o sol já estava mostrando toda a sua pujança; o cenário sertanejo ficou totalmente iluminado, as criações domésticas deram ar de vida; as vacas leiteiras foram dispensadas de suas atividades; o caboclo retirante já esgotou todos seus ubres que até superlotou o tambor vasilhame, uma parte desse líquido branco e saboroso que poderia ser consumido pelos bezerros será comercializado na cidade, tudo transformará em requeijão e outros derivados de leite.

Esta vida aqui no cantinho da roça é mesmo maravilhosa, além de fazer bem a saúde tudo transcorre as mil maravilhas, não há rotina desagradável nestes dias a dias, o tempo passa sorrateiramente, e a natureza vai se transformando a cada hora do dia. Visitar as plantações na horta, observar o crescimento das leguminosas desenvolvendo e se pondo a ponto de colhê-los, no terreno que abrange toda extensão desta propriedade parece se oferecendo para que deposite ali nessas entranhas feitas pelo o arado as sementes que dará fartas colheitas de frutos suculentos e adocicados, ao modo de ser espremido e extraído seu sabor inigualável feito vitamina e muitos nutrientes.

As pequenas árvores frutíferas oferecem uma refrescante sombra, serve também de comida para as aves que chegam aos bandos para se deliciar das goiabas deliciosas que quando esta bem amadurecida exala um aroma impressionante.

As aves silvestres habitam por ali nos arredores da casa; até se misturam com as galinhas do quintal, não temem a aproximação dos humanos, ninguém ousaria a fazer maus a essas criaturas, não haveria motivo para tais maldades, os gorjeios dessas aves embeleza o ambiente. 

Os inhambus e as codornas fazem as maiores cantorias ao entardecer e transita livremente bem próximo a porta da casa grande dessa fazenda.

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARABALDES

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARRABAUDES Antônio Herrero Portilho O gato Amarelão estava sempre passeando por ali naquela quadra, ele tinha mu...