domingo, 15 de março de 2026

(Espiritualidade) - O CALOR DO AMOR.


 

O CALOR DO AMOR


Depois daquele dia fatal, Nandinho deixou o grupo, foi por causa da morte de um cachorrinho de estimação de seu amigo morador de rua, viviam debaixo de uma marquise que anexava a um túnel para pedestre desativado ali a Rua Santa Maria em uma pista que passavam cruzando a cidade, mais adiante dali a uns quarentas metros foi construída uma passarela com facilidade de acesso ao outro lado da pista.                          

Aquele grupo de indigentes se acampava debaixo de uma proteção que haviam construído para esperar um transporte coletivo que ladeava essa pista rumo às vilas daquela cidade. O rapaz andarilho estava a rondar aquela cidade em busca de um lugar seguro para ficar, não gostava de dormir sozinho pelas aquelas vias, ouviam-se muitos casos de assassinato de andarilho naquelas noites, ele muito se preocupava com esses atos covardes, tirar a vida de um indefeso só por motivo banal.

Foi uma grande perca... perder seus amigos que sempre acompanharam nas lidas cansativas de juntar recicláveis, mas teve que sair por força dos amigos que diziam ser ele o causador da morte do cãozinho, mas o rapaz era inocente, não foi Nandinho.

Depois de quilômetros andados chegou de frente de uma velha obra abandonada, pensou em entrar mais ficou com medo, já era noite não podia adivinhar os perigos que poderia encontrar nesse local, deu a volta pelo outro lado e foi observar direitinho, quando dobrou a esquina, que virou para o outra da rua aí foi que ele viu que havia alguém se acampando por ali, percebeu labaredas, tinha um fogo por ali, estava certo que tinha alguém se acalentando próximo às chamas, entrou e foi cumprimentando esses povos sem teto. 

 

- Oh amigo, estava passando por aí, vi um clarão aqui, entrei só para dar uma olhada... Como vai vocês? (disse Nandinho com ar de que está forçando uma conquista de amizade.)

- Aqui estamos tudo bem na medida do possível, esse grupo já está completo, é melhor você cair fora, já somos oitos acampados aqui, não tem espaço para mais ninguém (senhor Alfredo disse com autoridade, se achava o líder, queria ditar as regras no grupo de mendigo. (De cócoras e seu rosto bem próximo às labaredas esfregava as palmas da mão, arrepiado e tremendo gelado, o frio estava intenso.)

- Oh... deixe ficar seu Alfredo, Nandinho eu conheço muito tempo, gente boa (essa fala era de mulher, em meio ao escurinho foi dito debaixo de algumas velhas coberta junto com umas meias dúzias de criaturas deitadas entre o concreto gélido e algumas graminhas feito forro de dormir)

- Pronto Maninha, já me convenceu, vou deixar Nandinho ficar por aqui essa noite, que sacrifício eu não faço a você né?  Minha querida Maninha..., mas só essa noite, amanhã pode pegar o caminho de volta, chispa já, suma dessa turma, aqui não tem pra mais ninguém. (O velho falou meio contrariado, concedendo a chance de ele ficar só até amanhã)

Ele estava com o peito ferido, angustiado com sentimento de rejeição, fazia parte de outro grupo, teve que sair às pressas, houve um desentendimento, e um daqueles homens o ameaçava de morte caso ele persistisse em acompanhar aqueles andarilhos, por isso procurava outra turma em que pudesse acompanhar, poderia se encachar muito bem nesse novo grupo desses amigos, mas parece que não foi bem recebido, seu Alfredo era um velho muito mal, ditava regras e disciplinas muito rígidas, não era qualquer um que se adaptava aqueles regimes, por isso aquele grupo nunca crescia.

 

O novato se afastou dos outros uns dez metros dos que já estavam lá, achou um lugar bom, era debaixo de uma escada nessa construção não acabada abandonada, colocou seu saco de tralhas ao chão, agachou e começou a retirar de dentro objetos e roupas para fora de sua mala, tipo saco meio que azul marinho, não estava muito limpo.

Seu Alfredo; o homem mal disse com autoridade ao Nandinho:

- precisamos de comida, estamos com necessidade de matar a fome desses nossos amigos aqui acampados, ele  fica responsável para essa obrigação, se é que quer mesmo acompanhar nossa turma, agora veremos se ele é mesmo bom para conseguir as ajudas, conforme os resultados será um dos nossos, pode ir a campo, ainda é cedo, hora que os ricos estão comendo, vejamos se você consegue amolecer corações dessa gente que tanto esperdiça alimentos, muitos deles até nos nega, mas quando é no outro dia cedo jogam aquelas enormes tigelas de comidas que estragou no lado de fora da casa.

Certeza que ele teria um lugar para conseguir a boa comidinha até quentinha, atravessou a pracinha, caminhou uns quatrocentos metros, ele chegou a grande mansão, ali estava os corações bondosos, era de religiosos, mas se tratavam de uma família de espíritas e católicos, sempre estavam com as mãos estendidas para ajudar os necessitados. Por coincidência ou não quando esse rapaz se aproximou da calçada lá vinha a doméstica a regar o pé de palmeira que haviam plantado à alguns dias anterior.

A moça depois de jogar a água nas plantas foi logo perguntando o que ele queria quando estava de pé em frente do portão.

- O que está fazendo aí rapaz?

 

- Preciso de comida, estou com fome, a senhora pode me arrumar algo, nem que for um pouquinho para enganar o estômago?

- E como se chama o senhor? Posso saber seu nome?

- Sim... Eu me chamo Nandinho, a senhora não se lembra mais de mim? Já tenho vindo outras vezes aqui, até peguei muita sopa que vocês me mandavam quando eu estava em no outro acampamento.

- Ah... Agora me lembro do senhor, do Nandinho, nós estávamos aguardando sua volta, até a patroa estava sentindo sua falta, fique tranquilo, vou arrumar um pouco de uma sopa, tá uma delícia, comi uma tigelada, aguarde um minutinho.

Seus olhares fixos naquela porta esperando que abrisse, e eis que logo aproxima a senhora doméstica com uma grande tigela de sopa, quente que até fumegava, o rapaz perguntou se hoje ia distribuir sopa para os irmãos de rua, sentia a precisão de ajudar os amigos acampados ali próximo a uns quinhentos metros.

- Precisa aguardar até as 22hs00 pode aguardar, estaremos lá, a proposito em quantos são vocês?

- Comigo já são nove está bom, vamos aguardar, trouxe essas roupas para que você se agasalhe do frio, estão boas, foram usadas até poucos dias passados, tome é seu.

 Ele vestiu aquele casaco, comeu aquela sopa que veio por antecipação, agora ia aguardar as dez da noite que já faltavam alguns minutos para presentear os amigos, queria ele chegar junto com o veículo que fazia a distribuição, esperou um pouco e chegou ao grupo, enquanto que todos perguntaram em uma só voz:

- Onde está a comida que você prometeu, não conseguiu?

- Consegui sim, já tá para chegar, só uns instantes, logo chega.

Ao mesmo tempo em que se exigiam o combinado buzinaram lá à frente, era o pessoal da distribuição, chamaram todos ali pra perto, fizeram uma oração de agradecimento e foram repartido o saboroso alimento, até guardaram um pouco para mais tarde, todos foram para a caminha de barriga cheia. Agora Nandinho ganhou a confiança de todos, o sono veio igual para todos, acordaram todos de barriga cheia.

O rapaz andarilho pegou a andar naquela avenida, desceu a ladeira, andou uns cinco quilômetros para chegar até ao seu antigos amigos de jornada, todos saíram para a cata dos recicláveis, mas seu desafeto estava lá, parece que estava meio adoentado, não se sabe se foi pela morte do animalzinho de estimação, pode ser eles eram amigos inseparáveis; o homem e seu fiel amigo de quatro patas, Peron acusava Nandinho pela morte do cachorro, mas não foi ele, queria explicar a ele que era inocente dessa acusação, mas parece que Peron não queria desculpas, tinha que ser quem ele dizia, não tinha elementos de provas, só acusava.

- Peron, como está?... Já melhorou meu amigo?

- ainda não estou fraco, eu não me alimentei, dormi pouco, arrependi da briga que tivemos.

- Bobagem me dê aqui um abraço, somos amigos novamente, mas esquecer de meu totó não consigo.

- Não, não, não matei seu cachorro, ele ainda está por aqui por perto, sempre presente no coração amoroso de seu dono, o outro que te falou que fui eu, mentiu, falou aquilo só para me meter em encrenca, não acredite.

- Vou provar que seu cão ainda está por aqui entre nós, vou assoviar e chama-lo, veja lá.

O jovem indigente tinha poderes místicos, parece que conversava com os bichos, pássaros, animais domésticos, ele chamava assoviando pelo nome do cachorro, de repente veja quem vem lá, totó vinha em uma disparada carreira, as orelhinhas estendidas para trás, línguas salivantes e seu rabinho parecia um foguete.

- Meu deus, como que eu posso acreditar nisso, meu totó está de volta (enquanto que o cão fazia a maior festa, lambendo até a boca de seu dono, Peron retribuía os carinhos do animal, ficou muito contente e dizia.

- Amanhã vamos novamente encher nosso carrinho de tudo que foi usado e que só serva para a reciclagem, não quero separar nunca mais se você meu belo e fiel amigo totó.

Nandinho tocou suas costas com a mão, deu três tapinhas no ombro do velho amigo e foi logo explicando o que ainda não estava muito certo.

- Peron meu amigo, tenho que dizer algo, você tem que aceitar essas palavras que são duras, mas você tem que ser homem para não ficar triste, seu totó não pode mais ficar aqui, agora ele está morando no céu dos cachorrinhos, você tem que aceitar isso, meu amigo, despeça de seu amiguinho, já está na hora dele ir embora,

mas não chore, ele estará sempre no seu coração, seu cachorrinho foi atropelado na avenida, lógico que nunca seria eu o motivo dessa maldade.

O animalzinho foi saindo parece que estava chorando, rabo entre as pernas e gania entre latidos de dores, e acabou por desaparecendo atrás de uma pilastra de concreto.

- Quero que você volte para nosso grupo que é seu também.

- Já me acomodei em outros amigos, não voltarei mais,

Nandinho seguiu o caminho de volta por aquela avenida, quando ele colocou a mão nos bolsos do casaco, percebeu alguma coisa, retirou do bolso, era um pacote de dólar juntamente com um belo relógio Suíço de valores altíssimo, algo muito valioso, o rapaz acelerou os passos e logo estava novamente de frente a casa dos milionários que lhes mataram sua fome, tocou a campainha e falou na campainha e disse,

- Oi, vocês me deram aquele casaco, mas ele tinha grandes valores no bolso, quero devolver, sou o Nandinho, lembra não?

- Aguarde aí que a patroa está de saída e fala com você, é um minutinho só.

- Dona Carmela ao passar pelo portão Nandinho esticou o braço e entregou a patroa tudo que achou nos bolsos do casaco que fora doado ontem, a senhora agradeceu e deu a ele uma gorjeta, para seu Nandinho era uma bela quantia, agradeceu e voltou para junto a seus amigos.

 

09/6/2019/ antherport.

 

 DE VOLTA AO PLANETA TERRA

 

 Eu venho de longe, das sombras da eternidade, eu não conhecia a luz, havia perdido minhas lembranças, me encantei com tanta beleza, agora vejo as cores limitando esses contornos nesses variados desenhos, meu sentimento nesse momento é como se estivesse revivendo algo que faz parte do passado, sensação de saudade, até parece que vivi aqui em outras épocas, quem sabe?

Vejo!...uma casa no final dessa alameda, dentre tantas casas, por que essa me causou tanta nostalgia, vou verificar de perto, o que foi realidade para mim, hoje está transformando em um sonho em realidade, quando parei de frente aquela casa, parece que minha memória foi ativada, senti com uma explosão aqui dentro de minha cabeça, aquela casa tinha tudo a ver com meu passado, os meus olhos retrataram aquela fotografia; o alpendre, a janela do quarto da frente que era do meu pai e minha mãe, fiquei ciente, essa era mesmo a minha casa antes de meinha passagem, eu vivi aqui quando criança, foi uma morte prematura, cresci e me desenvolvi em outro cosmo além planeta terra, hoje tenho dezoito  anos pela contagem dos mortais, me veio como impulso a sugestão de chamar, tocando essa campainha, aguardei uns instante e logo apareceu do outro lado do vidro da porta uma moça loira de olhos azuis de face bem delineada, confesso, as minhas carnes tremulavam eu sentia que algo estava preenchendo meu corpo, essa moça tinha o rosto muito parecido com o meu, fiquei chocado e muito emocionado revestido desses sentimentos próprio desses terráqueos dessa esfera terrestre. Depois que abriu a porta percebeu que esse moço parecia muito com ela, mas ficou preocupada, sentiu que esse rapaz estava passando mal, ela achou que poderia ser um amigo da faculdade, tem conhecimento que existe um amigo que estuda com ela que parece muito com, não tinha muita certeza, fazia poucas semanas que havia recomeçado as aulas, a turma era recente, mas porem não era bem assim.

A moça preocupada com estado de saúde do rapaz, levou o para dentro de casa e serviu um copo de água bem geladinha para que ele se despertasse desse passamento, ele se sentou e continuou com os olhos fechados por alguns minutos, aos poucos foi se refazendo do susto e voltando ao normal, 

os olhos, nesse momento sentiu uma pontada de dor aguda no lugar do coração, parecia que estava acordando de um sono.

Eloisa percebeu, ele estava com amnésia, não sabia explicar de onde veio, nem para onde vai, mas sentia saudade de todas essas coisas deixadas para trás, as surpresas era tão grande que ficou mesmo deslumbrado, olhando para o teto, paredes, portas, sentiu na vontade de se levantar, pediu para a moça se pudesse conhecer a casa toda, a moça permitiu, a primeira vontade de olhar, foi o quarto de sua mãe, olhou e ficou muito triste, a moça acompanhava ele pela casa foi mostrando tudo até chegou no quartinho de despensa; onde guardava os objetos que estavam em desuso, ele percebeu que seu berço ainda estava armado e seus brinquedos superlotava esse pequeno leito de dormir, o carrinho de pedal e o super homem era os seus preferidos, a moça observava que daqueles olhos azuis descia lagrimas em profusão.

Heloisa ficou preocupada com aquilo, chamou a mãe, as duas ficaram com a mente cheio de perguntas sem respostas. Logo Augustinho deixa a companhia de sua suposta irmã e segue para os fundos do quintal, o parquinho com os balanços, por incrível que pareça ainda estava lá em meio um gramado cheio de matos

Enquanto Augustinho estava a distância, sem ele saber mãe e filha discute esse acontecimento. Dona Cíntia e sua filha Heloisa estão chegando uma conclusão esse rapaz poderá ser a cópia de um filho já falecido a pouco mais de  duas décadas - era gêmeo com você, assim foi narrando a história – Foi em uma tarde do final de um mil novecentos e noventa e nove, sua tia, minha irmã como de costume saia pela tarde para passear pela cidade, naquele dia ela resolveu que levaria Augustinho com ela, iriam juntos até a sorveteria, fazia muito calor naquele quase final de dezembro, Augustinho estava envolvido com suas brincadeira e não queria acompanhar sua titia, ele insistia dizendo que não queria ir, mas por fim acabou cedendo as persuasão, Emília acabou convencendo e o levou, percebia que ele estava meio contrariado, mas lá ia titia Emília e Augustinho pelas ruas daquela cidadezinha tão pitoresca, ela atrás do volante de seu carro de fabricação nesse ano, passeava por essas ruas dessa estância turística, o pior veio acontecer, quando Emília tentava atravessar a avenida, a mesma rodovia que passava por dentro dessa cidade foi surpreendida com um caminhão carreta meio que desgovernado sem freios, não respeitou o sinal vermelho e veio colidir na lateral precisamente na porta do motorista... no carro de minha irmã, foi perca total, os dois morreram no ato da colisão, perdi meu filho, seu irmão gêmeo com apenas cinco anos de idade.

Enquanto o rapaz redescobria sua antiga morada, o papo mãe e filha continuava.

- Esse rapaz, tem tudo de meu irmão, não seria ele um contato além vida? Disse Heloisa para sua mãe.

- Verdade Heloisa minha filha, tenho experiência com espiritualidade, estou percebendo claramente, esse rapaz é o Augustinho que veio nos visitar, agora não sei como será o desfecho dessa história.

Logo chegou a noite, mãe Cintia arrumou uma caminha para que ele dormisse aquela noite, no outro dia Dona Cintia teria que dar um fim nessa história.

No outro dia bem cedinho, todos se levantaram para ver o rapaz, mas grande foi o espanto, a cama estava vazia, quando dona Cintia foi desfazer essa cama encontro debaixo do travesseiro um bilhete escrito em letras bem grande:

- Heloisa minha irmã, eu sou seu irmão, não sei se mamãe te falou daquele grave acidente ocorrido naquele dia, não percebi o impacto na hora da batida, felizmente não sofri nenhuma dor por fraturas e perfurações de órgãos, achei melhor assim que sofrer sequelas para o resto dessa vida como ser humano, imagino essa família uma grande árvore de grande extensão de raízes segurando esses galhos, frutos e flores, eu apenas fui colhido para a colheita da eternidade, infelizmente ocorrido na minha mais tenra idade, como fruto, ainda que nem  amadurecida por completo  nesse pomar feito esfera  terrestre.

Apesar de minha morada estar fixada em outros horizontes, mas no oculto ainda estarei horas ou outras vezes nesse grupo de irmãos, usufruindo da sombra refrescante dessa frondosa árvore feito família.

Agora voltarei para minha eterna morada para sempre.

(14/12/21/Antherport***

 

 

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