quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

A PAIXÃO DO CORRIMÃO.

                                                          A PAIXÃO DO CORRIMÃO


Estava eu aqui exposto,

estático preso neste piso de concreto.
Quase ninguém se via,
estava eu assim tão quieto.
Quando tuas mão pegavas em mim,

eu subia em direção ao teto,
tu apoiavas bem assim,
te sentia seu carinho teu calor, teu afeto.
Em momento impensado,

naquela atitude fatal,
tu vieste aproximando,
eu com minha pele tão fria,
neste meu brilho de metal.
Com milhares que me seguem

neste vai e vem desta vida,
dentre esta multidão que me apoiam,
tu és minha preferida.
Entre tantas mãos que me tocam,

nestas idas e vindas,
uma em especial me abraça
é a tua minha querida.
Teu calor me acalenta

situação incrível atrevida,
isto é próprio de você,
dentre todas as pegadas,
a tua é sem igual, inconfundível na vida.
Quando tu me abraças,

teu quadril encosta a mim,
eu sinto um comichão,
fico muito emocionado
tu me inspira carícias, e fico louco de paixão.
Quando te conheci naquela vaga ocasião,

nada tinhas nas mãos,
sentia você tão livre,
agora estou apreensível
em perde-la tenho medo.
Algo denso me resvala,

estou sentido este apelo,
é ouro e não é anel,
é uma aliança que tu tens no dedo.
Estou sentindo acabado

me sinto um nada no chão,
plantado assim desprezado,
meu amor não me quer mais,
acho que fiquei de lado,
o que tinha a oferecer,
mas meu pedido não quis atender,
meu simples amor de corrimão.
antonio herrero portilho

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

 

VIDA DE LOUCO

Fazia micagem,

desafiava instigando

em gesto obsceno,

falava bobagens

com caras e boca

quando imitava

um menino pequeno.

 

Provocava os moços

xingava velhos,

dizia com falas

em desatino.


Dormia o louco

em meio aos escombros,

escondia assustado

de baixo às ruínas,

assim residia,  sem rua

sem guia,

sobre o telhado,

já velho e quebrado

da casa da esquina.


cansado estava

de tanta investida.

pobre sujeito,

que triste sina.

 

As vezes em sono,

ou acordado em

falas se ouvia,

batendo pestanas

deitado enrolado,

em grandes lamentos.


em trapos exposto,

jogado ao vento,

em noites geladas

assim o dormia.

sofria gemendo,

chorava em lamentos.

 

Feridas em sangue,

seu corpo febril,

as chagas em dores

causava agonia,

em volta ao fogo

ardendo em chamas,

de braços cruzados

vibrava e tremia.

 

Sofrendo chorava

o pobre demente;

um homem insano,

 sentia se preso

às correntes, 

pisava descalço 

sofria  em lamentos.


 sentia se fraco desesperado

gemia e grania, 

as vezes rosnavam

 mostrava os dentes,

mas parecia

um cachorro sem dono.


Coitado do louco

cantando  dançava

sem palco, sem fama

neste seu mundo

tão desigual.


A tarde se vai, 

 vem a noites frias,

 cobertas rotas embala o sono,

até amanhã que logo viria, 

o louco se acha, 

se afirma dizendo

que vidas vazias,

que grande abandono, 

herdeiro de nada. sócio da noite

parceiro do dia.

___________________________

(antonio herrero portilho)

domingo, 22 de dezembro de 2024

ENQUANTO A BOLA ROLA, O CALDO MOLHA

 

AS AVENTURAS DO GUSTAVO

(PARA ADULTO)

 

Enquanto a bola rola.

 

O estádio estava lotado, toda a galera envolvida no jogo, mas, Gustavo ainda achou um cantinho entre as arquibancadas, uma parede que parecia da casa do zelador do estádio.

Era um campo de futebol de uma cidade do interior, neste dia acompanhou a turma nesta partida de futebol de dois times pequenos e desconhecidos, o time de seus amigos que entraria em campo.

 

Enquanto a bola rolava Gustavo se esbaldava com as meninas, agora com Fabiana popozuda; levada amante de um sexo caliente.

 

Descobriu um quartinho bem ali onde os pedreiros guardavam as ferramentas, abriu a porta e empurrou Fabiana para dentro do cômodo, logo foi caindo em cima de uma porção de sacos de cimentos, esse pequeno estádio estava em reforma, espaço servia para os homens da construção fazer as refeições e se trocar para o trabalho, além de guardarem as ferramentas.

Gustavo precisava de algo para forrar o local, antes que se sujassem de cimentos, começou a revirar todos os locais por ali e acabou encontrando algumas camisas que os peões trocavam as de passeios e vestiam estas só para o trabalho, percebeu que não estava tão suja, Fabiana tomou posse de uma destas roupas e mais que depressa se limpou em baixo; passou em sua boceta que ainda estava melada do gozo anterior a alguns minutos, sem pensar duas vezes e em um comum acordo confirmado pela troca de olhares, assim começaram uma sessão de sexo oral, ela gostava de sentir o toque de uma boca quente em sua vagina, agora inflamada e desejosa.  

Depois de muitos beijos calorosos, o rapaz desceu a boca até ao ponto máximo desejado, trabalhando, roçando aquela pele tão sensível ao prazer, fazendo com fricções  assim que mordicando aquela semente do tesão perfumada e saborosa, aquele pequeno órgão que tanto dizem; Clitóris, Fabiana chegou até aos céus quando Gustavinho localizou o tal vermelhinho encantado,  isso no instante que chegou ao objetivo,  provar com sua própria boca aquela racha divinal, parece que Fabiana sentia seu clitóris teso vibrar como o despertador de horas, mas certo que era de desejos, der repente percebeu quando Gustavo tocou com a boca aquela maravilha que possuía entre aquelas colchas roliças e bem torneadas .

- Meu bem... Gustavo retire esse seu boné, não vê que assim fica difícil, enfia esta sua cabeça entre estas minhas pernas... Vai meu bem passa essa língua assim bem gostosa, isso, dê aquelas tremidas na língua, vai assim tá muito bom, estou toda tesuda, você é mesmo o máximo, gosto que chupa ai neste ponto, esse ai é meu botãozinho abençoado, estou começando a gozar, acho que não vou parar mais, isso tá muito bom, parece que estou me explodindo por dentro... Ai, que delícia, como isso é bom!!! Estou gozando... Aí. Gozei, gozei, que bom...

 

Enquanto que Fabiana em cima dos sacos de cimentos, de pernas bem abertas expos sua xoxota de fresta bem avermelhada saltitando de tezão, convidando Gustavo para uma penetração.

 

O rapaz posicionou seu membro mais que ereto, denso e enrijecido, antes a tocou com o dedo riscando a racha umedecida enquanto beijava chupando a língua de Fabiana que até atrapalhava o beijo por causa da respiração ofegante, Fabiana estava descontrolada e até tomava a iniciativa desta penetração, ela mesmo tratou de introduzir o membro de Gustavo, o pegou com toda aquela delicadeza e impulsionando o corpo contra o corpo de Gustavo oferecendo suas entranhas para que o mesmo a mergulhe até a profundeza de seu ser de fêmea.

Fabiana feita louca enquanto aquele instrumento másculo estava totalmente preenchido entre as carnes de sua vagina, neste momento parece que apertava o pau de Gustavo, até parecia um abraço apertado em torno do mastro penetrante e vermelho em brasa.

 

Neste momento Gustavo estava deitado de barriga para cima enquanto ela cavalgava sobre aquele corpo obediente, ele permanecia calado deixando ser consumido por esta devoradora de homens.

 

Fabiana sempre buscava mais e mais, a cada transa ela se superava e evoluía se descobrindo formulas de satisfazer suas fantasias exacerbadas e insanas.

 

Logo ela desacelerou os vai e vens enquanto Gustavo começou dar umas estocadas contínuas, ela percebeu algo inundando suas entranhas, era o membro de Gustavo que lançava a toda pressão expelindo seu leite viscoso nesta profundeza feminina.

 

 

Fabiana soltou um grito triunfal e acompanhou Gustavo em suas gozadas. No momento que Gustavo retirou seu enorme pinto fora da vagina de Fabiana, Gustavinho assistiu o mais belo espetáculo, partindo daquelas pernas superes aberta, Fabiana com o ventre ofegante lançou uma maravilhosa ejaculação feminina, o jacto em pequenos pingos chuviscou o rosto do do rapaz,  até atingiu a parede branca recentemente pintada, Gustavinho até admirou pela quantidade de líquido esguichado por aquela abençoada boceta, disse Fabiana que para ela era novidade, que isso aconteceu pela primeira vez. Gustavo por momento pensou que ela estava tentando alvejar o rosto dele com uma super mijada.


 

- Que maravilha sentir essa explosão partindo de dentro de minhas entranhas, acho que vai ser a última vez que acontece, nunca mais terei outra cena incrível dessa, obrigado Gustavinho, graças a você.

 

Disse Gustavo em agradecimento:

- Você é competente de mais... linda Fabiana.

 

- Nossa que foda!

Fabiana ficou admirada pela intensidade dessa transa

 

Fabiana enquanto limpava sua xoxota com a camisa do pedreiro que havia guardada por ali, perguntava:-

 

- Quando que seu time voltará jogar aqui em minha cidade?

 

- Agora vai demorar, só retornará a jogar na segunda fase do campeonato, caso for classificado.

 

-Não tem problema, daqui até lá nos veremos para outros encontros.

 

-Ouça Gustavo, Marcaram um gol... e foi o time da casa.

 

- Fodas este jogo, estes pernetas, eu nem curto muito futebol, eu só

estou mesmo a passeio e comer estas meninas do interior.

 

- A é gostosão...

Agora me diga, onde eu ponho esta camisa que eu me limpei, onde ela estava?

- Joga aí em qualquer lugar mesmo, já tá toda borrada de sua boceta.

 

- Ah tá... Coitado dos pedreiros.

 

Antônio Herrero Portilho.  20/9/2015

By Antônio Herrero às outubro 12, 2021.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

MUVUCA NO TRÂNSITO


 

UM TRÂNSITO INFERNAL

       Gente andava apressados, aguardavam o semáforo as luzes acender, liberando a passagem, transeuntes corriam rápido, pra chegar do outro lado, um congestionamento terrível, um trânsito que andava lento, motoristas estressados, palavrões pra todos lados, difícil entender, entediadas de mãos atadas, agindo como dementes indo aos abraços da morte, desfazendo-se da sorte, sem rumo, sem norte, se apressando pra morrer.

Em meio a este tumulto, um fato interessante vinha  acontecer, enquanto os seres humanos, agiam em violência, se gradeavam e se apegavam em brigas de mal querência, de posse de suas máquinas assassinas e valentes, dos escapamento a fumaça, fazendo poluição, os barulhos ensurdeciam em altas acelerações, um pobre cão vira lata  cruzava na contra mão, tão inocente precavido arriscava sua vida atravessando pelo chão, buscava o outro lado, em meio à confusão, não se dava conta de nada, do perigo que ocorria, sem medo a amedrontar,  no outro lado da rua, em triunfo e alegria, sua vida foi salvar.

 

Motores aceleravam, buzinas gritando em berros, motoristas falavam alto, exaltando estressados, alguns com revólver nas mãos, dirigiam a outrem, palavras de baixo calão, que o fulano de tal, teria que levar ferro, gesticulavam mostrando dedos, dizendo imoralidades, e que o motorista do lado, fosse tomar no cu, pedindo que sigam avante, o condutor que estava à frente, resvalou o para choque, amassando o carro azul.

Tinha um cara corintiano com um feio chapéu de pano, com a estampa do timão, sujeito mal educado ameaçava todo mundo com dois porretes nas mãos, nos comandos de um carro todo velho e enferrujado do modelo corcel dois, dos anos oitenta e um, em meio as desavenças queriam porque queria ultrapassar a camionete, este fraco ignorante motorista incompetente, ainda não se dava conta de sua fraca potência.

Agora a paz vai reinar, as ruas silenciaram, só restaram as luzes acesas, já são mais de meia noite, as vias estão vazias, mas o as cores dos semáforos não param de piscar, vai até o outro dia aguardando iniciar, o cãozinho vira lata atravessou a avenida sem barulhos de buzinas nem carros acelerar.

Ali naquela marquise, aos braços de seu amigo catador de recicláveis, acomoda bem quentinho e no outro dia cedinho para o sono despertar, e estes monstros de latas se põem novamente às ruas, as leis ignorar, se faz donos do asfalto, exibindo seus carrões, prontos a trafegar, és o palco da discórdia, brigando até matar, esquecendo do amor urgente, por deus hão de se dar, astutos passando à frente, ferindo os mais humildes, cheios de preconceitos, se achando absoluto, proprietário do lugar.

(Antônio Herrero Portilho)

Enviado em 17/07/2013 08:12 BRT

domingo, 15 de dezembro de 2024

NATAL AOS POBRES.

 


               NATAL AOS POBRES

Aos fins de cada ano presenciamos várias atitudes de benevolência que se tornam comum em cada indivíduo; gesto de amor ao próximo, próprio do ser humano.

Chega o Natal, a festa de confraternização acontecem sobre variados eventos, os corações estão mais abertos ao amor solidário.

São exibidas algumas campanhas publicitarias com frases de efeito dizendo: "Natal Feliz Para Os Pobres". coitados! São agraciados somente em tempo de festas natalinas, se coletam brinquedos para algumas crianças e alimentos que serão consumidos em prazo de pouco tempo, e assim se repete a mesma situação, todos os anos, até parece que essas criaturas sofridas se alimentam somente aos fins de anos, e dependem muito do bom humor e a boa vontade do bem feitor, às vezes nem haverá doação em favor desses oprimidos e esquecidos.

Pelos caminhos que cruzamos ou pelas margens de logradouros eles se fazem presença, estão expostos como mercadorias descartadas sem valor comercial e morando em barracos construídos de caixote de madeira, sobrevivem de doações e comércio de coletas de material reciclável, há alguns casos que só lhes restaram os benefícios oferecidos pelo governo federal; renda cidadão e outros mais.

Enquanto isso muito e muito dinheiro resultados de nossos impostos pagos a nação, se desaparecem dos cofres públicos através da corrupção suja e desordeira, em algumas ocasiões são demitidos ou cassados com as forças das empresas de comunicação que noticiam e criticam tais atitudes destes maus exemplos de políticos que causa indignação e protestos das entidades populares, os autores destes crimes continuam impunes livres e soltos rindo aos deboches de posse dos produtos do roubo; valores em dinheiros que não volta já mais.

Nas próximas eleições se candidatam e se elegem com o voto desqualificados de eleitores que seguem aquela frase idiota descrevendo o pensamento mais contraditório que diz: “rouba mais faz” para desfrutar da imunidade parlamentar, os candidatos fichas sujas estão sempre de regresso à casa do povo lá no distrito federal, eles deveriam representar o povo e não lesar as riquezas de nossa pátria mãe gentil, que não os dão os referidos castigos que merecem perante a lei que se diz iguais a todos.

Esses políticos são os mesmos que quando estão reunidos entre alguns grupos religiosos, disparam algumas falácias para ludibriar os mesmos incentivando o cidadão se tornar membro de algum seguimento religioso, elogiam a atitude do cristão para que permaneça sempre com fé, isto já está se tornando desgastante, para eles há um desejo que o povo se torna cada vez mais cego desviando a atenção dos fatos que ocorrem no cenário da vida pública, e assim fica mais fácil esconder a corrupção; desviar o foco, como já dizia um grande pensador, a religião é como uma anestesia, alivio rápido logo passa o efeito.

Usam muitas formas de explorar o cidadão simples, falam até em nome de Deus para extrair o pouco que o pobre possui.

Tantos se convertem a algumas seitas religiosas crendo que encontrará um alento, auxílio divino, mas acaba encontrando um ambiente liderado por pastores maus intencionados e mercenários que lhes cobram o dízimo, arrancando seus últimos tostões, argumentando com mentiras e enganações dizendo que uma entidade diabólica poderá lhes castigar caso não exerça a doutrina do dízimo, e assim será vítima de mais uma modalidade de corrupção que favorece o pastor da igreja a acumular fortunas se
aproveitando da simplicidade do povo, ao fim de ano estes pastores cobram dez por cento em dízimos, e até apropriam-se de uma boa parte do décimo terceiro salário de cada trabalhador que frequenta estes tabernáculos.

Ao caminhar pelas ruas deparamos com uma enormidade de pessoas que por motivos desconhecidos se encontra em estados de pobreza degradante, esquecidos pelas calçadas e às vezes atrapalhando os transeuntes, pedindo auxilio aclamando por um pedaço de pão.

Ao outro lado da avenida presenciamos um cenário totalmente oposto, fogos de artifícios explodindo sobre o som de muitas bandas de roque e todos os ritmos musicais.

A alegria de Natal e muitos festejos de fim de ano estão às vistas de todos, bastante são os motivos de alegrias, muito dinheiro no bolso e durante o ano que há de vir muita saúde para sobreviver.

Mas o sentido do Natal é homenagear o nascimento do menino Jesus, Natal é a maior comemoração, data simbólica que representa o nascimento do menino Deus.

                        Antônio Herrero Portilho/15/12/2009.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

1- O calor do amor. 2- Um passeio pelo Planeta Terra.

 


                                                                     O calor do amor

Depois daquele dia fatal, Fernandinho deixou o grupo, foi por causa da morte de um cachorrinho de estimação de seu amigo morador de rua, viviam debaixo de uma marquise que anexava a um túnel para pedestre desativado ali a Rua Santa Maria em uma pista que passavam cruzando a cidade, mais adiante dali a uns quarentas metros foi construída uma passarela com facilidade de acesso ao outro lado da pista.                           

Aquele grupo de indigentes se acampava debaixo de uma proteção que haviam construído para esperar um transporte coletivo que ladeava essa pista rumo às vilas daquela cidade. O rapaz andarilho estava a rondar aquela cidade em busca de um lugar seguro para ficar, não gostava de dormir sozinho pelas aquelas vias, ouviam-se muitos casos de assassinato de andarilho naquelas noites, ele muito se preocupava com esses atos covardes, tirar a vida de um indefeso só por motivo banal.                                                     

Foi uma grande perca... perder seus amigos que sempre acompanharam nas lidas cansativas de juntar recicláveis, mas teve que sair por força dos amigos que diziam ser ele o causador da morte do cãozinho, mas o rapaz era inocente, não foi Fernandinho.

Depois de quilômetros andados chegou de frente de uma velha obra abandonada, pensou em entrar mais ficou com medo, já era noite não podia adivinhar os perigos que poderia encontrar nesse local, deu a volta pelo outro lado e foi observar direitinho, quando dobrou a esquina, que virou para o outro lado da rua aí foi que ele viu que havia alguém se acampando por ali, percebeu labaredas, tinha um fogo por ali, estava certo que havia alguém se acalentando próximo às chamas, entrou e foi cumprimentando esses povos sem teto.  

- Oh amigo, estava passando por aí, vi um clarão aqui, entrei só para dar uma olhada... Como vai vocês? (disse Fernandinho com ar de que está forçando uma conquista de amizade.)

- Aqui estamos tudo bem na medida do possível, esse grupo já está completo, é melhor você cair fora, já somos oitos acampados aqui, não tem espaço para mais ninguém (senhor Alfredo disse com autoridade, se achava o líder, queria ditar as regras no grupo de mendigo. (De cócoras e seu rosto bem próximo às labaredas esfregava as palmas da mão, arrepiado e tremendo gelado, o frio estava intenso.)

- Oh... deixe ficar seu Alfredo, Fernandinho eu conheço muito tempo, gente boa (essa fala era de mulher, em meio ao escurinho foi dita debaixo de algumas velhas coberta junto com umas meias dúzias de criaturas deitadas entre o concreto gélido e algumas graminhas feito forro de dormir)

- Pronto Maninha, já me convenceu, vou deixar Fernandinho ficar por aqui essa noite, que sacrifício eu não faço a você né?  Minha querida Maninha. Mas só essa noite, amanhã pode pegar o caminho de volta, chispa já, suma dessa turma, aqui não tem pra mais ninguém. (O velho falou meio contrariado, concedendo a chance de ele ficar só até amanhã)

Ele estava com o peito ferido, angustiado com sentimento de rejeição, fazia parte de outro grupo, teve que sair às pressas, houve um desentendimento, e um daqueles homens o ameaçava de morte caso ele persistisse em acompanhar aqueles andarilhos, por isso procurava outra turma em que pudesse acompanhar, poderia se encachar muito bem nesse novo grupo desses amigos, mas parece que não foi bem recebido, seu Alfredo era um velho muito mal, ditava regras e disciplinas muito rígidas, não era qualquer um que se adaptava aqueles regimes, por isso aquele grupo nunca crescia.

O novato se afastou dos outros uns dez metros dos que já estavam lá, achou um lugar bom, era debaixo de uma escada nessa construção não acabada abandonada, colocou seu saco de tralhas ao chão, agachou e começou a retirar de dentro objetos e roupas para fora de sua mala, tipo saco meio que azul marinho, não estava muito limpo.

Seu Alfredo; o homem mal disse com autoridade ao Fernandinho:

- precisamos de comida, estamos com necessidade de matar a fome desses nossos amigos aqui acampados, ele  fica responsável para essa obrigação, se é que quer mesmo acompanhar nossa turma, agora veremos se ele é mesmo bom para conseguir as ajudas, conforme os resultados será um dos nossos, pode ir a campo, ainda é cedo, hora que os ricos estão comendo, vejamos se você consegue amolecer corações dessa gente que tanto esperdiça alimentos, muitos deles até nos nega, mas quando é no outro dia cedo jogam aquelas enormes tigelas de comidas que estragou no lado de fora da casa.

Certeza que ele teria um lugar para conseguir a boa comidinha até quentinha, atravessou a pracinha, caminhou uns quatrocentos metros, ele chegou a grande mansão, ali estava os corações bondosos, era de religiosos, mas se tratavam de uma família de espíritas e católicos, sempre estavam com as mãos estendidas para ajudar os necessitados. Por coincidência ou não quando esse rapaz se aproximou da calçada lá vinha a doméstica a regar o pé de palmeira que haviam plantado à alguns dias anterior.

 A moça depois de jogar a água nas plantas foi logo perguntando o que ele queria quando estava de pé em frente do portão.

- O que está fazendo aí rapaz?

- Preciso de comida, estou com fome, a senhora pode me arrumar algo, nem que for um pouquinho para enganar o estômago?

- E como se chama o senhor? Posso saber seu nome?

- Sim... Eu me chamo Fernandinho, a senhora não se lembra mais de mim? Já tenho vindo outras vezes aqui, até peguei muita sopa que vocês me mandavam quando eu estava em no outro acampamento.

- Ah... Agora me lembro do senhor, do Fernandinho, nós estávamos aguardando sua volta, até a patroa estava sentindo sua falta, fique tranquilo, vou arrumar um pouco de uma sopa, tá uma delícia, comi uma tigelada, aguarde um minutinho.

Seus olhares fixos naquela porta esperando que abrisse, e eis que logo aproxima a senhora doméstica com uma grande tigela de sopa, quente que até fumegava, o rapaz perguntou se hoje ia distribuir sopa para os irmãos de rua, sentia a precisão de ajudar os amigos acampados ali próximo a uns quinhentos metros.

- Precisa aguardar até as vinte horas dessa noite, pode aguardar, estaremos lá, a proposito em quantos são vocês?

- Comigo já são nove, está bom, vamos aguardar, o vazio de nossa barriguinha pede socorro. (disse Fernandinho)

 - Trouxe essas roupas para que você se agasalhe do frio, estão boas, foram usadas até poucos dias passados, tome, é seu. (Disse aquela alma bondosa)

 Ele vestiu aquele casaco, comeu aquela sopa que veio por antecipação, agora ia aguardar as dez da noite que já faltavam alguns minutos para presentear os amigos, queria ele chegar junto com o veículo que fazia a distribuição, esperou um pouco e chegou ao grupo, enquanto que todos perguntaram em uma só voz:

- Onde está a comida que você prometeu, não conseguiu?

- Consegui sim, já tá para chegar, só uns instantes, logo chega.

Ao mesmo tempo em que se exigiam o combinado buzinaram lá à frente, era o pessoal da distribuição, chamaram todos ali pra perto, fizeram uma oração de agradecimento e foram repartido o saboroso alimento, até guardaram um pouco para mais tarde, logo foram para a caminha de barriga cheia.

Agora Fernandinho ganhou a confiança do grupo, o sono veio igual para cada um, acordaram muitos dispostos, de barriga cheia.

O rapaz andarilho pegou a caminhar naquela avenida, desceu a ladeira, andou uns cinco quilômetros para chegar até ao seu antigos amigos de jornada, todos saíram para a cata dos recicláveis, mas seu desafeto estava lá, parece que meio adoentado, não se sabe se foi pela morte do animalzinho de estimação, pode ser eles eram amigos inseparáveis; o homem e seu fiel amigo de quatro patas, Peron acusava Fernandinho pela morte do cachorro, mas não foi ele, queria explicar a ele que era inocente dessa acusação, mas parece que Peron não queria desculpas, tinha que ser quem ele dizia, não tinha elementos de provas, só acusava.

- Peron, como está?... Você Já melhorou meu amigo?

- Ainda não, sinto que estou fraco, eu não me alimentei, dormi pouco, arrependi da briga que tivemos.

- Bobagem me dê aqui um abraço, somos amigos novamente, mas esquecer de meu totó não consigo.

- Não, não, não matei seu cachorro, ele ainda está por aqui por perto, sempre presente no coração amoroso de seu dono, o outro que te falou que fui eu, mentiu, falou aquilo só para me meter em encrenca, não acredite.

- Vou provar que seu cão ainda está por aqui entre nós, vou assoviar e chama-lo, veja lá.

O jovem indigente tinha poderes místicos, parece que conversava com os bichos, pássaros, animais domésticos, ele chamava assoviando pelo nome do cachorro, de repente veja quem vem lá, totó vinha em uma disparada carreira, as orelhinhas estendidas para trás, línguas salivantes e seu rabinho parecia um foguete.

- Meu deus, como que eu posso acreditar nisso, meu totó está de volta (enquanto que o cão fazia a maior festa, lambendo até a boca de seu dono, Peron retribuía os carinhos do animal, ficou muito contente e dizia.

- Amanhã vamos novamente encher nosso carrinho de tudo que foi usado e que só serva para a reciclagem, não quero separar de você nunca mais, meu belo e fiel amigo totó.

Fernandinho tocou suas costas com a mão, deu três tapinhas no ombro do velho amigo e foi logo explicando o que ainda não estava muito certo.

- Peron meu amigo, tenho que dizer algo, você tem que aceitar essas palavras que são duras, mas você tem que ser homem para não ficar triste, seu totó não pode mais ficar aqui, agora ele está morando no céu dos cachorrinhos, você tem que aceitar isso, meu amigo, despeça de seu amiguinho, já está na hora dele ir embora, mas não chore, ele estará sempre no seu coração, seu cachorrinho foi atropelado na avenida, lógico que nunca seria eu o motivo dessa maldade.

O animalzinho foi saindo parece que estava chorando, rabo entre as pernas e gania entre latidos de dores, e acabou por desaparecendo atrás de uma pilastra de concreto.

- Quero que você volte para nosso grupo que é seu também.

- Já me acomodei em outros amigos, não voltarei mais,

Fernandinho seguiu o caminho de volta por aquela avenida, quando ele colocou a mão nos bolsos do casaco, percebeu alguma coisa, retirou do bolso, era um pacote de dólar juntamente com um belo relógio Suíço de valores altíssimo, algo muito valioso, o rapaz acelerou os passos e logo estava novamente de frente a casa dos milionários que lhes mataram sua fome, tocou a campainha e falou no pequeno microfone e dizendo:

- Oi, vocês me deram aquele casaco, mas ele tinha grandes valores no bolso, quero devolver, sou o Fernandinho, lembra não?

- Aguarde aí que a patroa está de saída e fala com você, é um minutinho só.

- Dona Carmela ao passar pelo portão Fernandinho esticou o braço e entregou a patroa tudo que achou nos bolsos do casaco que fora doado ontem, a senhora agradeceu e deu a ele uma gorjeta, para seu Fernandinho era uma bela quantia, agradeceu e voltou para junto a seus amigos.

09/6/2019/ Antherport.

 

UM PASSEIO PELA TERRA.

          Eu venho de longe, das sombras da eternidade, eu não conhecia a luz, havia perdido minhas lembranças, me encantei com tanta beleza, agora vejo as cores limitando esses contornos nesses variados desenhos, meu sentimento nesse momento é como se estivesse revivendo algo que faz parte do passado, sensação de saudade, até parece que vivi aqui em outras épocas, quem sabe?

Vejo!...uma casa no final dessa alameda, dentre tantas casas, por que essa me causou tanta nostalgia, vou verificar de perto, o que foi realidade para mim, hoje está transformando em um sonho em realidade, quando parei de frente aquela casa, parece que minha memória foi ativada, senti com uma explosão aqui dentro de minha cabeça, aquela casa tinha tudo a ver com meu passado, os meus olhos retrataram aquela fotografia; o alpendre, a janela do quarto da frente que era do meu pai e minha mãe, fiquei ciente, essa era mesmo a minha casa antes de meinha passagem, eu vivi aqui quando criança, foi uma morte prematura, cresci e me desenvolvi em outro cosmo além planeta terra, hoje tenho dezoito  anos pela contagem dos mortais, me veio como impulso a sugestão de chamar, tocando essa campainha, aguardei uns instante e logo apareceu do outro lado do vidro da porta uma moça loira de olhos azuis de face bem delineada, confesso, as minhas carnes tremulavam eu sentia que algo estava preenchendo meu corpo, essa moça tinha o rosto muito parecido com o meu, fiquei chocado e muito emocionado revestido desses sentimentos próprio desses terráqueos dessa esfera terrestre. Depois que abriu a porta percebeu que esse moço parecia muito com ela, mas ficou preocupada, sentiu que esse rapaz estava passando mal, ela achou que poderia ser um amigo da faculdade, tem conhecimento que existe um amigo que estuda com ela que parece muito com, não tinha muita certeza, fazia poucas semanas que havia recomeçado as aulas, a turma era recente, mas porem não era bem assim.

A moça preocupada com estado de saúde do rapaz, levou o para dentro de casa e serviu um copo de água bem geladinha para que ele se despertasse desse passamento, ele se sentou e continuou com os olhos fechados por alguns minutos, aos poucos foi se refazendo do susto e voltando ao normal, abriu os olhos, nesse momento sentiu uma pontada de dor aguda no lugar do coração, parecia que estava acordando de um sono.

Eloisa percebeu, ele estava com amnésia, não sabia explicar de onde veio, nem para onde vai, mas sentia saudade de todas essas coisas deixadas para trás, as surpresas era tão grande que ficou mesmo deslumbrado, olhando para o teto, paredes, portas, sentiu na vontade de se levantar, pediu para a moça se pudesse conhecer a casa toda, a moça permitiu, a primeira vontade de olhar, foi o quarto de sua mãe, olhou e ficou muito triste, a moça acompanhava ele pela casa foi mostrando tudo até chegou no quartinho de despensa; onde guardava os objetos que estavam em desuso, ele percebeu que seu berço ainda estava armado e seus brinquedos superlotava esse pequeno leito de dormir, o carrinho de pedal e o super homem era os seus preferidos, a moça observava que daqueles olhos azuis descia lagrimas em profusão.

Heloisa ficou preocupada com aquilo, chamou a mãe, as duas ficaram com a mente cheio de perguntas sem respostas. Logo Augustinho deixa a companhia de sua suposta irmã e segue para os fundos do quintal, o parquinho com os balanços, por incrível que pareça ainda estava lá em meio um gramado cheio de matos

Enquanto Augustinho estava a distância, sem ele saber mãe e filha discute esse acontecimento. Dona Cíntia e sua filha Heloisa estão chegando uma conclusão esse rapaz poderá ser a cópia de um filho já falecido a pouco mais de  duas décadas - era gêmeo com você, assim foi narrando a história – Foi em uma tarde do final de um mil novecentos e noventa e nove, sua tia, minha irmã como de costume saia pela tarde para passear pela cidade, naquele dia ela resolveu que levaria Augustinho com ela, iriam juntos até a sorveteria, fazia muito calor naquele quase final de dezembro, Augustinho estava envolvido com suas brincadeira e não queria acompanhar sua titia, ele insistia dizendo que não queria ir, mas por fim acabou cedendo as persuasão, Emília acabou convencendo e o levou, percebia que ele estava meio contrariado, mas lá ia titia Emília e Augustinho pelas ruas daquela cidadezinha tão pitoresca, ela atrás do volante de seu carro de fabricação nesse ano, passeava por essas ruas dessa estância turística, o pior veio acontecer, quando Emília tentava atravessar a avenida, a mesma rodovia que passava por dentro dessa cidade foi surpreendida com um caminhão carreta meio que desgovernado sem freios, não respeitou o sinal vermelho e veio colidir na lateral precisamente na porta do motorista... no carro de minha irmã, foi perca total, os dois morreram no ato da colisão, perdi meu filho, seu irmão gêmeo com apenas cinco anos de idade.

Enquanto o rapaz redescobria sua antiga morada, o papo mãe e filha continuava.

- Esse rapaz, tem tudo de meu irmão, não seria ele um contato além vida? Disse Heloisa para sua mãe.

- Verdade Heloisa minha filha, tenho experiência com espiritualidade, estou percebendo claramente, esse rapaz é o Augustinho que veio nos visitar, agora não sei como será o desfecho dessa história.

Logo chegou a noite, mãe Cintia arrumou uma caminha para que ele dormisse aquela noite, no outro dia Dona Cintia teria que dar um fim nessa história.

No outro dia bem cedinho, todos se levantaram para ver o rapaz, mas grande foi o espanto, a cama estava vazia, quando dona Cintia foi desfazer essa cama encontro debaixo do travesseiro um bilhete escrito em letras bem grande:

- Heloisa minha irmã, eu sou seu irmão, não sei se mamãe te falou daquele grave acidente ocorrido naquele dia, não percebi o impacto na hora da batida, felizmente não sofri nenhuma dor por fraturas e perfurações de órgãos, achei melhor assim que sofrer sequelas para o resto dessa vida como ser humano, imagino essa família uma grande árvore de grande extensão de raízes segurando esses galhos, frutos e flores, eu apenas fui colhido para a colheita da eternidade, infelizmente ocorrido na minha mais tenra idade, como fruto, ainda que nem  amadurecida por completo  nesse pomar feito esfera  terrestre.

         Apesar de minha morada estar fixada em outros horizontes, mas no oculto ainda estarei horas ou outras vezes nesse grupo de irmãos, usufruindo da sombra refrescante dessa frondosa árvore feito família.

Agora voltarei para minha eterna morada para sempre.

(14/12/21/Antherport***

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Nos bastidores do tempo.


  NOS BASTIDORES DO TEMPO.

LEMBRANÇAS

Fico tomado por um momento de grande saudosismo quando algum motivo me toca e me traz de volta o passado.

Foliar um livro antigo ao qual já li e agora me deparo com essas páginas amareladas pelo tempo; aquela história ficou gravada em mim para sempre, recordar aquela cena tão marcante ou às vezes tão simples, de um passado distante mais ficou tão fixado em minha memória.

Lembro-me de quando morávamos naquela casinha tão simples as margens da aquela estrada de terra, às vezes servia ao transporte de veículos ou em outras atividades como um corredor para os boiadeiros tanger as tropas de cavalos, mulas, jumentos ou gados; estrada de boiadeiros. Ainda não tenho certeza de qual era minha idade, só tenho o conhecimento que estava em idade escolar.

O ribeirão ficava bem ali na baixada, naquelas águas cristalinas e saborosas, há vezes curvei sobre aquelas margens e com a minha boca em contato com a superfície da correnteza tomava, me embebendo deste líquido combatendo minha sede imitando os animais. Cardumes de lambaris prateado descia em direção das afluentes, exercitando as ágeis nadadeiras e barbatanas acompanhando ou se deixando se levar pelas correntezas daquele Riozinho de águas tão profundas e caudalosas.

A escola ficava localizada na pequena cidadezinha e no trajeto havia como recurso essa ponte que dava acesso ao outro lado da margem, na temporada das grandes chuvas aquele pequeno riacho ficava cheio ultrapassando seu leito normal, chegava a transbordar, e até cobria a ponte, nos obrigava a fazer uma volta muito grande chegando e atravessar pelo o aterro da represa, a mesma que dava origem a este córrego ao qual brotava das grandes paredes daquele antigo açude construído nos já passados mais ou menos cem anos.

Eu acompanhado da turma que bem de manhã íamos em direção do chamado Grupo Escolar, hoje me admiro de tantas disposições e contentamentos e movidos de tantas vontades de aprender as lições.

Nossa classe era do período da manhã, as aulas terminavam no meio do dia, quando adentrávamos para a classe aguardávamos alguns minutos de pé e de mão no peito cantávamos o hino nacional, não era todos os dias, não me recordo se era no início ou no final de cada semana, ainda não me esqueci daquela professorinha, tão vocacionada, cheia de amor pelos alunos, dedicadíssima! Todos aprendiam as lições com rapidez, até eu que possuía uma aversão à matemática ficava inteirado, não que seria lições difíceis, mas para quem estava nos primeiros anos de aprendizados tudo era novidade.

Certos momentos que não consigo esquecer, nos términos da aula eu os amigos tomávamos o caminho de volta, não ficava longe o percurso, bastava atravessar a pequena ponte e logo chegamos a casa, todos vizinhos próximos, moravam por ali, éramos uma turminha de mais ou menos meia dúzia, incluindo algumas meninas. Da escola até a ponte media mais ou menos uns mil e seiscentos metros e a estrada era de chão batido; terra vermelha que com o sol muito quente fazia molhar de suor e com a poeira que emergia do leito carroçável no instante que passava por nós algum caminhão de transporte tudo ficava impregnado.

Ao chegar ao riacho, ao atravessar a ponte nós não pensávamos duas vezes, teríamos que dar um belo mergulho para lavar aquelas sujeiras de terras misturadas de suor, alguns dos amigos seguiam em frente, eu e mais alguns três ou quatro destes companheiros parávamos na ponte. Deixávamos os cadernos escolares em cima de uma grande pedra que havia a beira da estrada, e desfazíamos das roupas do oniformes e todos nus como viemos ao mundo, galgávamos sobre as pequenas ferragens das estruturas da ponte e praticávamos salto livre da altura mais ou menos quatro metros e meio, depois do mergulho, os nados livres; natação de uma forma natural, não dá para contar as inúmeras surras que já levamos quando nossos pais sabiam destas peraltices.

Não tínhamos nem um pouco de pudor, não envergonhávamos de nossa nudez. Ficar sem roupas na presença das meninas que assistiam nossas habilidades a natação; pura inocência, não havia nenhumas atitudes maldosas nestes proceder, lembro-me que para elas era sempre motivo de risos e gracejos ao ver nossos corpos despidos.

Chegávamos à casa de banho tomado, mas porem com as roupas cheirando suor, não tinha problemas sempre havia outra roupa limpinha para a próxima ida à escola.

Depois do almoço estávamos novamente em volta de nossas intensas atividade, não ficávamos sem nossas revistinhas em quadrinhos, apesar de estar aprendendo a ler, mas não separávamos de nossos gibis; possuímos umas vastas coleções do Pato Donald, Tio Patinhas e muitos outros.

Dentro de uma mala velha e bem surrada que havia servido para viagens; eis o nosso local de guardar nossas revistas que tanto contribuiu para adquirir mais aprendizado nas leituras, o grande Wall Disney aprimorou muito a leitura de seus leitores, quando terminávamos essas leituras deliciosas dos quadrinho das revistinhas, trancávamos todos aqueles personagens dentro daquela antiga mala de nossas coleções de gibis, rodava a chave daquela velha fechadura trancando aqueles tantos Patos Donald, Tio Patinhas, Mickey e tantos outros desenhos que alimentavam nossas fantasias, sem mencionar os livros que liámos em classe, José Mauro de Vasconcelos enchia aquelas páginas de letrinhas contando uma história dos peixinhos do aquário, mangueira moça e os pássaros pretos preso naquela gaiola, “Coração de vidro” Agora os livros estão velhos e amarelada, até cheirando a mofo, aquelas lembranças ficaram perdidas no longo daquele caminho que bem de manhãzinha traçávamos esse itinerário em direção ao grupo escolar, no fim do período voltávamos para repetir tudo novamente, isso durante esses anos de aulas. 

                                                  Antônio Herrero Portilho. Março de 2010 


terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Se apresentando a Natureza


 OS SEIS PASSOS EM DIREÇÃO A NATUREZA

Depois de alguns poucos passos em direção da mesa do computador, antes de me acomodar à cadeira, abro a janela, estico os olhares vistas abrangentes fora desse quarto de dormir, as luzes desse roteador, aqui nesse cômodo. piscam como o semáforo da rua de cima, exigindo a minha movimentação, aguardo alguns minutos observando a velha antena de retransmissão de rádio AM, hoje em desuso.

Nessa manhã ainda as seis e meio desse dia que começa, as araras Canindé repetindo seus mesmos trajetos quase o ano todo, imagino que regressam dos poucos coqueirais que ainda persiste de pé à alguns 02kms de distâncias daqui, bem ali onde termina a zona urbana.

Eu, as araras, os bichos domésticos de costumes diurno repousamos durante a noite, os cães de rua se silenciaram, buscaram algum refúgio abrigando-se da chuva miúda que salpicava na vertical quase a noite inteira, até agora faltando esses poucos minutos para as 08hs dessa manhã, bom assim, minhas plantinhas agradecem essas forças benéficas.

Como é bela a natureza, vendo pela janela a chuva caindo, as folhas todas tremulando exibindo o verde vida que de mostra toda abundância de frutos e legumes que há de vir... surgindo nesse terreno molhado, encharcado de prosperidade dês das mãos dos que plantam até a doçura da seiva.

A vida acontece a todo instante, através das forças do universo o planeta terra recebe essas benesses.

Assim que me lancei esses  passos a dentro de meu quarto de dormir,  abrir a porta, mas não comparei à distância infinita que existe entre nós e essa imensidão de espaço nesse infinito, quando olhei pela janela não imaginei a via lacta comparada à vistas de meus olhos nesse curto alcance, certeza que essas linhas nunca cruzarão esse horizonte, não terminam ali onde nossas vistas alcança, o céu também não é o limite, ontem eu notei o claro da lua, vi as estrelas cadentes se movimentando, nessa noite dessas primeiras horas desse dia, as nuvens ocultaram os raios lunares, a chuva aproveitou o escuro da noite, veio de mansinho, mas logo foi surpreendido pelo claro do sol surgindo rasteiro e penetrante preenchendo aos poucos todos espaços ofuscado pela luz .

O velho vivente cordialmente, retira o chapéu da cabeça e cumprimenta com um sorridente bom dia.

- A chuva parou, disse a quem quizesse ouvir.

... continua seguindo seus passos rua à baixa, vida que segue...

Bom dia! Com alegria.

 Antherport.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

ACORDEI NO BRASIL.


               Acordei novamente no Brasil.

Na noite passada quando fechei meus olhos firmei o pensamento insistindo na certeza que o próximo dia seria melhor. Embrenhei no escuro dessa noite, vejo que está em tempo de descansar esse meu órgão de visão, nessas horas passadas foram exposto às fortes luz artificial eletrônica; a tela da tv e o monitor desse computador forçaram minhas pupilas, depois a resplandecente luz do sol desse dia de domingo também contribuiu para essa canseira, talvez os óculos escuro resolveria essa tarefa de suavizar esses focos luminosos.

Infelizmente precisamos observar os derredores do nosso viver nessa existência, isso dês dos tempos remotos.

Muitas das vezes os ouvidos auxiliam para essa ação... no despertar de uma cena em movimento repentino assim como ao atravessar uma rua, o toque de uma buzina exigindo atenção, o motorista pronto para frenar, o transeunte se apressa para não ser vitimado, na falta da audição ou visão, toda responsabilidade toda ação fica a cargo desse condutor, isso demostra o quão é importante esses nossos dois órgão.

Para um envelhecer saudável é indispensável a proteção desses órgãos, se assim não fora, como teria certeza que estaria acordando nesse país, só a percepção que a vida acontece lá fora.

Muita  vezes a curiosidade  fazem focar nossos olhares em algo indevido, os ouvidos captam o som chamando a atenção para esses fatos, em seguida, mais que depressa nossas retinas... Nossos olhos fotografam, infelizmente pode ser uma cena de espetacular beleza, ou uma tragédia aterrorizante.

Acordei nessa manhã, não faz muito tempo, continuei com meus olhos fechados como faço sempre, súbito um barulho infernal, um motociclista amante da discórdia se ocupa dessa via pública em alta aceleração, percebi os ruídos quando ainda estava distante, em pouco segundos passa de frente de minha casa, foi uma agressão terrível ao meus órgãos de audição, contrariando minhas vontades, involuntariamente arregalei os olhos mesmo que não via nada lá na rua,  fora de foco.

Quando fechei os olhos me entorpeci desses meus sentidos, quando acordei, arregalei os olhos, quando meus ouvidos ficaram expostos a esse alto alarido dando início a uma nova jornada do dia a dia

Me irritei com esse motor de silenciador alterado.

Em outras condições, se caso acordássemos nesse nosso país em dois mil e noventa em três, não haveria essa barulheira desse aglomerado de ferros latas, cheirando combustíveis fósseis e fumaça poluente.

Daqui até lá muitos de nós não estaremos vivendo o silêncio do veículos a eletricidade, nem olhos para apreciar esse futuro tão maravilhoso que há de vir para findar desse século, não acordaremos já mais nesse nosso país, muitos de nós, não precisamos aguardar nesse dia estaremos sobre o silêncio da eternidade.

Antherpor/***

RELÓGIOS, BÚSSULAS E TIPOGRAFIA

 


ENTRE OS RELÓGIOS E BÚSULAS, A TIPOGRAFIA

Um acontecimento fatal sangrando páginas exposta nas bancas de jornais, vistas e revistas. tipografia de letras frias, fotos e caracteres estampam convite a leitura, pupilas delatam em atenção, fatos apontam mais um delito, as leis inflamam, dedos ágeis tocam, imprimem e transmitem opiniões, viajam. Dorme a noite, enquanto a sinfonia das máquinas em meio a tinta fresca que leva a notícia, acordamos mais um dia igual a tantos, veículos expressos impresso oferece informações.

Nesse espaço de horas, no trajeto da vida, mais um livro encadernado, uma nova história a contar, o barulhar do fundo musical do relógio na sala de jantar a cada respirar mostrando um ponto de interrogação, não entendo o vir e para onde irei seguindo essa direção.

Assim vai contando o tempo parágrafo de crônicas entre o barulho das teclas escrevendo a história musicando o terror, gastando os créditos aproximando para o fim; ponto de chegada de todos, serrando os olhos em um derradeiro pestanejar, coluna social, se for importante, obituário no rodapé informal.

Em um lugar qualquer, uma bengala, um livro antigo de capas preta, agora as luvas descansam; dedos murchos sem se vestir de vida, incontáveis vezes protegendo essas mãos a não tocarem o mau. Os óculos em lentes de círculos perfeito, nesse momento focaliza o vazio, aumenta a vista do infinito sem divisas, variedades de algo oculto... quintais. O papel de poucas gramaturas não se equilibra por si além do mover do sopro dos ventos ainda firmam de pé entre as capas duras expostos na biblioteca, mesmo que amarelado cheirando a mofo ainda persistem em existir contando essas histórias para o futuro certificar das verdades que já passou, e nesses desfiladeiros ficaram esses vestígios, marcas dessa cultura remota, graças a impressão da tipográfica que tocou a tinta e imprimiu o papel buscando a memória para informar cada leitor.

Antherport/

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARABALDES

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARRABAUDES Antônio Herrero Portilho O gato Amarelão estava sempre passeando por ali naquela quadra, ele tinha mu...