quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

 

VIDA DE LOUCO

Fazia micagem,

desafiava instigando

em gesto obsceno,

falava bobagens

com caras e boca

quando imitava

um menino pequeno.

 

Provocava os moços

xingava velhos,

dizia com falas

em desatino.


Dormia o louco

em meio aos escombros,

escondia assustado

de baixo às ruínas,

assim residia,  sem rua

sem guia,

sobre o telhado,

já velho e quebrado

da casa da esquina.


cansado estava

de tanta investida.

pobre sujeito,

que triste sina.

 

As vezes em sono,

ou acordado em

falas se ouvia,

batendo pestanas

deitado enrolado,

em grandes lamentos.


em trapos exposto,

jogado ao vento,

em noites geladas

assim o dormia.

sofria gemendo,

chorava em lamentos.

 

Feridas em sangue,

seu corpo febril,

as chagas em dores

causava agonia,

em volta ao fogo

ardendo em chamas,

de braços cruzados

vibrava e tremia.

 

Sofrendo chorava

o pobre demente;

um homem insano,

 sentia se preso

às correntes, 

pisava descalço 

sofria  em lamentos.


 sentia se fraco desesperado

gemia e grania, 

as vezes rosnavam

 mostrava os dentes,

mas parecia

um cachorro sem dono.


Coitado do louco

cantando  dançava

sem palco, sem fama

neste seu mundo

tão desigual.


A tarde se vai, 

 vem a noites frias,

 cobertas rotas embala o sono,

até amanhã que logo viria, 

o louco se acha, 

se afirma dizendo

que vidas vazias,

que grande abandono, 

herdeiro de nada. sócio da noite

parceiro do dia.

___________________________

(antonio herrero portilho)

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