sexta-feira, 27 de março de 2026

O ANJO CASSIEL.


           

PRAZERES CELESTIAIS

 

        Dana, a Linda Jovem passeava pelo shopping, lojas e até aqueles calçadões, realmente uma linda garota, isso ninguém pode negar, por momento não tinha namorado, seu último par romântico Ted, agora totalmente descartado de sua vivência, separação resultado de muito ciúme por parte dele, esse seu namorado se parecia com um louco enciumado, já havia perdido o controle da situação, Dana não conseguiu se segurar, a ponto de desfazer esse romance, estava para acontecer uma grande tragédia, assim fora feito, Ted deu início a uma grande perseguição, não suportava a separação, se sentia traído em até mesmo quando Dana conversava com os amigos, sendo assim Dana estava passando por perigo de morte, Ted maquiava algum ato descomunal, O grande mestre Divino enviou um anjo, como companheiro espiritual, o anjo Cassiel protegia para que não acontece nenhum perigo de morte, já é sabido como é essas a cabeças desses assassinos doentio quando não consegue aceitar uma grande perca, se tona mais irado quando se trata de paixão amorosa.

Um dia desses o anjo Cassiel estava na sala de projeções e capitações de imagem direto aqui da terra, isso lá no paraíso celeste, enquanto assistia as imagens, os recursos divinos focaram com nitidez essa maravilhosa garota, fazendo suas compras aqui na terra, ela visitava os calçadões.

        Nessa sala ninguém tinha permissão para entrar e fazer uso desses recursos, somente o velho São Tião, mas Cassiel pediu com tanta insistência que esse velho de cabeça branca não resistiu.

-- vamos lá, só vou liberar acesse somente a essa vez, não encista, esse ambiente é muito particular. Enquanto você usa meus instrumentos de comunicações, estarei aqui por perto, não vou te deixar sozinho, qualquer dúvida, pergunte. Disse São Tião impedindo de deixa-lo a praticar algumas bobagens com seus instrumentos da ordem celestial, Cassiel era muito levado a sexo, gostava de mais de um vídeo pornô, São Tião não permitiria entregar seus computadores a esses sites de sacanagens, certeza que deus iria punir São Tião) mas esse velho de cabeça branca sempre comete essas permissões, permitir ou não permitir Cassiel entrava sempre nessa sala pelos modos clandestinos, ele já segue a história de Dana a muito tempo, São Tião não sabe de quantas vezes já entrou nessa sala de imagens e projeções. Der repente Cassiel focaliza Dana novamente, chama São Tião para perto da tela e faz um pedido. Cassiel faz o pedido para o velho de cabelos brancos, já com a certeza que ele se amolecia e aceitaria, o velho faz todos os gostos desse seu anjo predileto.

--Meu Mestre, Meu Mestre, eu quero que essa moça venha morar conosco, só você tem esse poder, quero que traga Dana para cá eu quero que ela seja minha parceira, aliás estou precisando mesmo. (Cassiel) estava apaixonado por Dana) Outra vez São Tião não suportou a persuasão do anjo, e foi logo atendendo o pedido de seu querido discípulo.

        O velho de cabeça branca mexeu com as varinhas de fazer mágica, fazendo que o es namorado de Dana perde a cabeça e comete um feminicídio, São Tião atendo os gostos de seu anjinho mimado.

 

Segunda parte

            Ela meio sentada, de costas apoiada nas paredes construídas de pedras, sobre um monte de feno que servia para forrar esse local em hora de fechar os olhos, ainda não sabe como veio parar ali, até agora tudo isso não passava de um sonho, local meio que estranho, não se vê o azul infinito do céu, só paredes altas.

- Sinto muita leveza, até parece que meus sessenta e oito quilos não está mais aqui comigo, aqui sou magra de corpo muito bonito, isso eu estou percebendo, só que um esperdiço, agora que eu gostaria mesmo de usufruir dessa minha sexualidade, não vejo nenhum macho por aqui que poderia me dar prazer, bom... Vamos aguardar um pouco, vai que aparece algum amordaçado de espada em punho, aí eu me realizo, nesse momento estou muito excitada, essas vaidades que eu sempre vivi lá no Planeta terra.

        Gostaria de namorar nem que fosse um pouco, espero que logo venha alguém suprir minhas necessidades.

Parece que alguém ouviu os pensamentos de Dana, ela começou ouvir alguns passos que vinha lá dos outros compartimentos, logo um belo jovem aproximou de Dana e se apresenta.

-- Foi você, foi você quem focalizei lá na terra, você passeava no calçadão e até consumia naqueles shoppings, senti amor a primeira vista, mesmo que havia uma distância imensurável. Quero namorar com você (disse o anjo Cassiel)

-- Você não me conhece, estou chegando agora, te vejo pela primeira vez, o que você tem a dizer?

--  A você só posso expressar minha grande admiração, por mil deuses, como você é linda! Peço que você me acompanhe até a minha cabana.

- E o que quer de mim meu belo jovem? (Dana fez caras e bocas ao indagar demostrando muita sensualidade, olhos brilhantes de fêmea maravilhosa)

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        O amor de Cassiel e Dana se completaram nesse cenário visto como purgativo, ela já havia morrido à algumas horas, estava nesse local astral a qual lhe foi reservada, seu mestre celestial nesse momento a blindou com essa realização desse desejo, não veio para esse lugar para sofrer como um purgatório, será mais feliz que os tempos de vivências lá na terra — certeza que vai gostar dessa estadia( disse em voz baixa, pensando com sigo).

        Logo um senhor de barbas compridas chega nesse ambiente, trazendo uma espécie assim de bolsa... Um pacote, sei lá, pede que os dois se levantar, e vai fazendo logo algumas piadinhas:

- Seus safados, esbaldaram de prazer...  Né?... Se aproxime, chegue até aqui, agora bata essas suas asas é pode ir, não precisa vestir suas roupas, depois eu levo lá pra você.

O rapaz anjo abriu suas asas, antes de impulsionar o voo, o velho deu um tapa na bunda de Cassiel e logo ele planou naqueles ares meios que celeste.

- Agora é você Dana, se aproxime, tenho um presentinho para você.

        Nesse momento Dana pensou que fosse alguma punição, ficou com medo, ela transou com um anjo filho desse senhor deus chefe idoso, mas seguiu esses passos à frente e se aproximou do velho, parece meio acanhada, vergonhosa e tremula.

- Não precisa se preocupar ficando com medo, não vou punir ninguém, você agio certo, pode ficar à vontade, faça dessa estadia aqui o que você sentir vontade, eu não vou proibir nada, agora como eu disse trouxe um presente para você, deixe-me eu pegar aqui nesse embrulho, mas vire as costas, é uma surpresa.

        A moça deu-lhe as costas, enquanto o velho abriu o pacote e retirou um par de asas brancas, muito branca, encostou-se às costas da moça e fez um gesto assim como se estivessem colando, ou fixando algo as costas de Dana.

Dana ganhou um par de asas, o velho pediu para que ela exercitasse um pouco as mesmas, ela bateu as asas e viu que já estava pronta para voar e até alcançar o amigo que acabara de conhecer. O velho disse que ela estava pronta, agora pode dar uma curta corrida e levantar voo, o ancião deu tapa na bunda da jovem asada e ela impulsionou vou sobre esse espaço parecido com céu.

        Mais a frente ainda em voo Dana ficou questionando:

- Quem será aquele velho tão camarada, seria deus ou é o diabo? Se for deus como pode permitir sexo, o mesmo que todos religiosos tanto condenam. Se for o diabo? Seria o diabo um cara muito bondoso, ah sei lá, isso está me deixando muito confusa, eu acho mesmo que não existe nada disso de deus e diabo e isso que está acontecendo comigo é comum nessa outra faze de nossas existências extraterrestre. Só sei que é assim, disse a moça alada enquanto estreia esse par de belas asas alva como a neve.

 

Terceira Parte

        Pensem em um sujeito que não prestava para nada, Diablito era o nome dele, todas as tarefas que são Tião pedia para ele fazer, não fazia direito, estava sempre por ali deitado debaixo das sombras das folhagens, dormindo ou até cantando como uma gralha endoidecida, oh sujeito atoa dos inferno.

Nessa manhã o velho de cabelos brancos, quer dizer, poucos cabelos por que era calvo bem no cocuruto da cabeça, pensem em uma pessoa amigável, gente boa da melhor espécie, amigo para qualquer ocasião, bem, mas não é a aí que eu quero chegar, é que São Tião era o administrador dos departamentos Celestiais, mandava e desmandava.

        Nessa manhã esse senhor estava muito atarefado, havia muitos movimentos nesse seu escritório das coisas divina, foi nessa hora que São Tião precisou de uma ajuda de Diablito; o preguiçoso, São Tião desceu os poucos degraus daquela  escadas somente para localizar o tal Diablito, tinha uma tarefa para ele fazer com urgência, procurou por alguns instantes, estava difícil de encontrar essa terrível criatura endiabrada, pois ele possuía a mesma cor dos vasos cerâmicos... aquela cor de diabos, mesmo, meio marrom esbranquiçado... é por aí, cor de burro fugido, sempre por ali nas folhagens plantadas, se mimetizava como um camaleão, certeza que era tudo proposital, apesar de toda a má qualidade, era um astuto desordeiro.

         São Tião chegou bem próximo desse corpo quase inválido, no momento cozido de preguiça, mas ainda respirava, o velho de cabelos brancos, o chamou e em seguida cutucou seu traseiro com a ponta do sapato e assim foi dizendo:

— Acorda seu inútil, tenho serviço para você, vamos logo, isso é pra já. Quero o comparecimento no escritório com urgência, urgentíssima, te aguardo.

        São Tião nesse momento estava mergulhado em um monte de pastas e fichários, Diablito se apresentou, se dispondo oferecendo ajuda, São Tião o chamou na outra mesa, de posse de um papel cartão, colocou na máquina de escrever, preencheu dos dados que estava relatado em seus arquivos, retirou da máquina de escrever, imprimiu alguns carimbos, assinou, colocou grampeou, deixou ali na mesa com um peso em cima para que o vento do ventilador não soprar para longe, em seguida pediu que Diablito localizasse o Anjo Cassiel.

— Tenho uma missão para ele, terá que descer a terra, fará uma grande jornada... Bom!.. chame ele, esse assunto é com ele, traga o aqui. isso é pra ontem, vamos rapaz, diabinho zombeteiro.

Diablito ficou endoidecido.

--Encontrar Cassiel nessas alturas dos acontecimentos será uma tarefa muito difícil, descobrir onde ele está em meio essas mais de mil tendas e cabanas, não vai ser moleza, então, vamos começar pelo começo e terminar pelo fim.

        Diablito passou muitas horas para encontrar o anjo Cassiel, distribuiu vários recados dizendo que Diablito está procurando-o, assim com tantas insistências, foi aí que deu de cara com Cassiel, passou o recado, disse que São Tião estaria esperando no escritório central com muita pressa.

        Passado vários minutos, se apresenta Cassiel no escritório central, São Tião o aguardava ansioso para lhes incumbira essa tarefa, é uma missão divina, foi o dono do trona celestial; deus por assim dizer que formalizou essa exigência, na verdade é irrefutável, você descerá na terra com uma missão muito especial, vou lhe mostrar tudo, vamos até a sala de projeção, vou te mostrar com detalhe sua árdua tarefa a cumprir, entre se sente, se acomoda, logo vou passar um roteiro de suas obrigações lá no planeta terra.

—Pronto! Está aí, esse é o homem a qual estava falando.

 no silêncio daquela sala quase vazia, ouviu-se um clic, repentinamente um feixe de luz projetou a tela enquanto focava a imagem de João Moreno.

—João Moreno é um queridíssimo de nosso deus, nosso chefe celestial o vê com bons olhos, muito difícil nosso pai amado sentir alguma predileção por algum daqueles habitantes da planetinha azul, portanto quero que você Cassiel, faça seu trabalho direitinho, não cometa nenhuma falha, e nenhum abuso prepotente para assim agradar a nosso Deus.

— Quero ver mais, eu também estou gostando desse personagem, passe mais algumas imagens, quero ver o local e onde vive, o que se alimenta, seus cachorros, seus gatos e sua companheira com suas crianças.

        Próximo clic aparece naquela parede branca os afazeres de João Moreno  Imagem desse filho de deus em suas labutas; trabalhando no seu dia a dia.

        Aquela estradinha atravessa a paisagem naquele sertão, geografia cheia de subida e ladeiras, sobe desce incessante, era até difícil trafegar por aquelas vias, mas só existia esse caminho que escoava as colheitas e produção naquele ermo de mundo; um lugar escondido nesse sertão.

Nessas margens dessa via de leito arenoso, lá morava João, sua casa e sua oficina ao qual dava assistências aos bravios operários condutores desses caminhões os quais faziam essa rota de carrocerias pesadas dos carregamentos frutos da terra vermelha rasgada em arados e animais.

        Negro João vive de poucas recompensas, estendia uma mão amiga a esses homens em momentos de urgência de reparos e concertos de feixe de molas e até algumas reposições de peças mecânicas, além dessa função, fabricava em modo artesanal rodas para carroças, carruagem e até os grandes carretões de tração animal, sempre esses pequenos agricultores o procurava para esses atendimentos.

        Naquela manhãzinha, pouco antes do sol emitir seus primeiros raios de claridade, João Moreno havia terminado de fazer seu café, sentado em um pequeno cepo de madeira, proseando com seus outros três amigos aos quais auxiliavam João Moreno nesses pesados trabalhos do dia a dia, enquanto todos conversavam sobre o serviço que estaria na banca de trabalho a ser executado, poucos momentos a dar início a jornada dessas labutas, Nego João percebeu algo estranho nos ares, inexplicável, esses amigos não deram contas  de que estava havendo, João e seus amigos saíram ali pelos arredores para observar direito, continuava soprando um vento forte e em seguia silenciava, João ficou intrigado com esse fenômeno, parece que toda essa sensação surge do grande lago que havia ali bem perto das quatros solitárias moradias ali daquela beira de estrada; um açude de vários alqueires de extensão de águas muito profunda, segundo dizem, essas paredes que represa essa enorme quantidade de águas foram construídas à algumas centenas de anos, forçados pelos braços fortes dos escravos, que pelas informações, esse local onde moram e estabelecem oficina para concertos, foram palcos de muitas tiranias nos tempos da escravatura, muitos negros até pagaram com suas vidas em trabalhos forçados nessas senzalas que por aqui existiam, muitos fazendeiros e senhores de engenhos povoavam por essas imediações, João Moreno estava atento para algumas aparições que aconteciam por ali, acreditava que espíritos desses escravos e trabalhadores surgiam nesse local.

        Ainda não havia surgido o sol, a imagem da paisagem era formada pelo contraste do escuro próximo a hora do amanhecer, Nego João e seus três amigos presenciaram um fato muito curioso, naquela madrugada, antes de nascer o sol, testemunharam a queda de um grande objeto luminoso,  caiu bem dentro do enorme açude centenário, a luz foi tão forte que clareou todas aqueles arredores, João Moreno e seus amigos ali postado, no momento com os olhos direcionado para o grande lago, pode perceberem com grande espanto, as águas das várzeas foram cometidas por um forte choque no epicentro dessas ondas gigantesca causada pelo forte impacto quando em vertical tocou a superfície dessas águas profundas, o anjo Cassiel estava chegando à terra, esse fenômeno que se sucedeu foi apenas sua apresentação, mas porém tudo isso aconteceu devido a um erro de cálculo, que São Tião errou na velocidade da queda, seria mais serena o pouso de Cassiel, Como o velhinho de poucos cabelos brancos lançou esse emissário, não era para tanta velocidade, o único recurso foi desviar a queda para as águas da lagoa, ainda bem que a aterrisagem foi um sucesso, somente um probleminha, o maior prejudicado por esses erro foi mesmo Cassiel, com aquele fantástico mergulho foi até o fundo desse lago, logo voltou a tona, em um diálogo destemperado, cheio de farpas, expôs suas revolta.

—Como é velho Tião? desse jeito o senhor quer mesmo que eu me acabe nesses acidentes de planos errados, assim o senhor está me prejudicando, não podia ser mais de mansinho, era isso que eu esperava, ainda bem, estou inteiro, disse Cassiel nas raras vezes que perde o controle das emoções, assim seu mestre logo respondeu pedindo consideração pela falha.

— Desculpa aí discípulo querido, vou tomar todo cuidado para não acontecer mais. (Essas vozes nenhum ser mortal poderia ouvir, ficava somente entre Cassiel e São Tião, que tudo controlava direto do Paraíso Celeste).

— Ainda bem que reconheceu seus erros, caso tenha outros afazeres nas minhas incumbências diga logo, vou encerrar o diálogo.

— Hora você vai aparecer como espírito ou se materializará em humanos, agora você chegará até a casa de João Moreno como um andarilho, ficará por ali como não quer nada sentado nas sombras das árvores que estão plantada a beira da estrada, bem próximo a oficina de João Moreno, mas você vai salvar a vida de João moreno, a partir desse momento você terá feito uma grande amizade de grande companheirismo, aguarde para isso acontecer.

        Frente a oficina de João Moreno havia um caminhão muito velho a muito tempo deixado ali por não haver mais concerto, o Cassiel terá esse resto de caminhão como dormitório, vai dormir nesses velhos estofados dessa cabine do motorista e carona, assim estará abrigado do mau tempo, mas por pouco tempo, logo estará morando em casa e conforto de dormir.

       Naquela manhã, já contava o tempo das mais de oito e trinta horas, Cassiel aproximou dos homens que ali trabalhava, conversou alguns minutos com João Moreno, fizeram cumprimentos, João percebeu que Cassiel aparentava algo amigável, foi justamente nesse momento que havia um enorme tronco de madeira para descarregar da carreta, madeira essa que João utilizaria para fabricar manualmente grandes carretões de boi, João Morenos estava ali bem próximo dessas madeiras a serem descarregadas, o anjo Cassiel também estava ali próximo, pronto para qualquer eminência de perigo, ele já sabia que seria nessa hora o momento certo do livramento, súbito ouviu se um barulho de correntes assim quando estivessem se soltando os elos, essas grande peças de madeiras rolaram da carga feita no caminhão de transporte, antes que aconteceria esse acidente fatal, o anjo Cassiel saltou com muita rapidez, abraçando o corpo de João Moreno e com uma força inexplicável, certeza, mãos divinas, como um relâmpago atirou o corpo de João Moreno à uns dez metro de distância, aquelas quase tonelada de madeira tocou o chão bem no lugar que Nego João estava, assim o anjo Cassiel cumpriu sua primeira tarefa aqui na terra, salvando a vida de João Moreno.

    Cassiel ficou por ali durante esses dias, até ajudava nos trabalhos da oficina, ele tinha a estatura muito grande, quase dois metros e dez de altura, muita massa muscular, demostrava muito habilidoso nas tarefas a fazer no que se diz oficina, não cobrava nada pelos seus serviços, só fazia refeições e outros alimentos no dia a dia. Cassiel fez amizade com esse grupinho, muitas prosas, jogo de carteados, até companheiro nas pescarias, ali mesmo na velha represa a qual serviu Cassiel de porta de entrada nesse nosso mundo, nas noites intensa de calor, Cassel sentava em cima daquele resto de caminhão abandonado, admirava com encantos os fenômenos desse nosso planeta terra, olhava para o céu vendo aquelas infinidade de estrelas, e questionava quão é belo o planeta Terra, até ficava se perguntando, em qual daquelas centenas de milhares de luzes estaria ele vindo, em qual daquelas estrelas poderia ser meu lar, onde estará aquele velhinho chato, horas camaradas, São Tião.

O tempo transcorre nesse cenário solitário de silêncio, as vezes ouvisse alguns barulhos nas árvores, e até na represa que por ali transborda de tantas águas acumulada desses cheia, Cassiel quando dirigia os olhares na baixada, observava aquele resplendor cor de prata, era as águas do lago em tempo de cheias, os macacos, as corujas e os bichos de costumes noturnos tinha o capricho de exibir os cânticos fúnebres demostrando muitos mistérios noturno, a noite passava e o Anjo Cassiel não dormia, e nem tinha a necessidade de dormir, por que anjo é anjo, outra história para contar.

        O anjo nessa tarde, ficou disposto a conhecer mais sobre aquela região em que estava instalado os negócios de João, caminhou pelas pastagens, conheceu muitas lavoras, aproximo de João á uns trinta quilômetros dista da estrada poeirenta, havia fazendas de criações de gados, roças de plantações de algodoes, muita lavoura de arroz, logo ele chegou à conclusão que esses caroços de arroz seriam descascados, ou seja, beneficiados e no momento do cozimento era adicionado ao feijão acompanhado com as outras comidas, andou toda aquela tarde, conheceu muito os costumes dos habitantes desse planeta terra.

    Logo Cassiel voltou para seu ponto de partida, percebeu que algo estava faltando, seu compartimento de se proteger dos intemperes dessas noite chuvosas ou dias de ventanias forte, hoje Cassiel não terá como dormir em seu velho caminhão a beira da estrada, alguém o removeu dali onde estava parado a mais ou menos décadas, foi isso que aconteceu, guincharam o velho caminhão, e mais; parece que começaram uma obra ali, limparam o terreno e nivelaram, as marcas no solo demarcava uma construção, edificação, certeza, vão construir ali, vamos aguardar os trabalhadores dessa construção voltar ao trabalho amanhã, saberemos. Veremos.

        João Moreno sentiu a falta de Cassiel, não sabiam que ele estava passeando pela vizinhança, por isso não se preocupou com a remoção da velha cabine onde Cassiel dormia, mas João ficou sabendo o porque de tudo isso ter acontecido, pelo que ficou sabendo é que naquele espaço será construído um estabelecimento, pousada, e posto de combustível, Cassiel terá que arrumar outro local para se acostar nesses dias de clima frio.

        Arrumou um local para ficar, a casa de um dos senhores que trabalhava com João, a casa era grande, dava para acomodar Cassiel. Com esses acontecimentos João está satisfeito com essas vizinhanças que chegará por aqui.

       Os dias passam, e logo se vê a grande construção se erguendo, um grande investimento de comércio, nesse ponto de estrada estava precisando mesmo de uma parada para os ônibus e caminhões, até mesmo carros de passeios, quando passageiros e condutores precisaria de um momento para se descansar dessas viagens cansativa, os passageiros até faziam algumas caminhadas quando paravam nesse ponto, ali nessas paisagens tinha uma visão muito bonita, envolta da grande represa havia uma espécie assim de praia, pequena mas de areias brancas e águas límpidas, a pousada e posto de gasolina tem tudo para prosperar, logo outros comerciantes também se instalaram nesse ponto, a estrada de terra vermelha logo se tornará rodovia, o trânsito aumentará e o que não passava de uma pequena oficina que concertava molas de caminhões e fabricava artesanal carretas de trações animais, como se vê, agora João Moreno não mora mais sozinho nesse ermo de sertão, logo aqui será um pequeno povoado, Cassiel agora tem sua casa para morar, João Moreno retribuiu tudo de bem que Cassiel tem feito, dês de quando salvou a vida naquela manhã quando descarregavam aquele caminhão de grandes troncos de madeira, mas porém Cassiel não pretende continuar todo o tempo comendo das mãos de seu grande amigo, agradece pela retribuição, pensando bem Cassiel nem queria ser recompensado por esses feitos, suas ações benéficas já estava programada dês de quando essa missão fora dada e enviada pelo seu grande mestre Seu Tião lá do Paraíso celeste, Cassiel agora vivendo aqui na terra como pessoa comum, mas dotada de muito espiritualidade, ele tinha muito privilégio, logo Cassiel estará trabalhando nesse comércio aqui frente da oficina de João Moreno, será um dos recepcionistas gerente, mesmo assim, não abandonará a grande amizade dele com João, mas a única situação que o acomodava era a falta de sua companheira que ele tanto amava, mas por ordens do grande Arquiteto do Universo foi escalado para essas missões aqui no Planeta Terra, mas a qualquer momento Cassiel terá um contato com São Tião, e algumas exigências exposta nesse diálogo.

        Parece que o velho de cabelos brancos já havia lido os pensamentos de seu amado discípulo

– Peço que se dirija ao grande açude, debaixo daquela árvore farei presença, nós teremos que conversar muito sobre sua querida companheira. (disse São Tião com ar de fazendo mistério) marcou data e hora. Vou lhe adiantar um detalhe, será quando estiver inaugurado o comércio que se abrirá ali de frente ao ponto de João Moreno. E deu por encerrado o contato.

-- É sobre ela que eu iria te pedir, dizer.  (respondeu Cassiel)

-- Por enquanto nada a dizer, aguarde o contato.

        Daí alguns dias, Cassiel foi contatado com o dono daquele empreendimento, Senhor de muita boa aparência, viu que Cassiel poderia ser um de seus funcionários, o contratou para a gerência desse comércio de Posto de Combustível e Pousada Hotel, Cassiel receberia os clientes e mostrar suas acomodações, cuidar do faturamento, e dinheiro em caixa, a inauguração será para amanhã.

        O dia da grande inauguração é hoje, Cassiel esperou até o intervalo do almoço, desceu a ladeira que terminava ás margens da grande represa, se acomodou ali debaixo da figueira, aguardando para o contato de São Tião, logo ele chega, uma luz brilha entre as folhagens da grande árvore dizendo com aquela voz serena e bem pausada.

              —Saúdo meu querido discípulo, vamos conversar (disse São Tião ao seu prediletíssimo anjo aqui enviado no planeta Azul)

— Então, me deixou aqui naquela vez que nem me deu assistência, estava eu tão bem resolvido com minha querida Dana, agora estou com muita saudade, poderia fazer a bondade de traze-la par cá, eu gosto muito dela, faça me essa bondade? (O anjo Cassiel pediu ao seu mestre com muito aclamação)

                —Isso mesmo que precisamos de conversarmos, Dana está aprontando muitas desordens naquele paraíso celeste, muito namoradeira, já passou o sarrafo em quase a metade do céu, meu superior sempre me chamando atenção pelos comportamentos dela, até o Diablito já deu uma carimbada naquela bolacha, agora ele fica falando a todo mundo que ali convivi, se empolgou, nunca havia provado da fruta, agora se lambuzou, se eu soubesse disso, eu não atenderia seu pedido (Disse isso a Cassiel com reclamações)

                — Eu gostaria muito que ela viesse para cá, se for possível mande pra mim, estou morrendo de paixão por ela, mande, mande querido mestre, faça essa bondade para mim)

                —Não vejo a hora de sumir para sempre com aquela biscate encrenqueira, traste, aguarde aí que ainda hoje estas recebendo (aí, deus não quer ela lá no Paraíso de maneira nenhuma. (Aliviado por dispensar Dana: a namorada de Cassiel, que tanto tempo não vê refletiu São Tião.

                   -- Observe bem, ela virá em outro corpo, também de face muita bonita, mesmo nome; Dana.         Fique atento para um veículo que irá parar na bomba de gasolina, modelo Jeep última fabricação, a placa desse veículo está escrita aí nessa papeleta, você irá atender na hora de abastecer, cuidado, esse indivíduo costuma abastecer e não pagar a conta, se ele acelerar corra atrás, se não os custos perdidos custarão de seu salário.

— tá certo, estou ouvindo.

—Ouviu bem, namorado distraído, sua companheira está fazendo o maior evento sexual lá em cima, aguarde, ainda hoje você vai recebe-la nessa pousada. (disse o velho de cabeça branca ao despedir do anjo Cassiel)

                   Quando os relógios dos humanos bateram a metade do dia, já se podia perceber cinco carros para abastecer, hoje faltou o frentista, Cassel correu lá para atender, abasteceu o carro do freguês, viu ali um senhor condutor desse veículo de barbas bem aparadas, de óculos escuro e uma boina no cocuruto da cabeça, parece que esconderia algo, mais um óculos escuro tipo Ray Ban, enquanto o carro estava se abastecendo a moça ia tirando a bagagem dos compartimentos portas malas, despediu daquele motorista, fechou o porta malas, despediu-se do misterioso motorista  depois da formalidades, disse a Cassiel que arrumasse os aposentos para que  se acomodasse, Cassiel agiu como faz com todos os fregueses, tomou a mão da moça e dirigiu aos dormitórios.

          O senhor condutor pagou a conta com umas notas novinhas que até estralava, Cassiel não conseguiu tempo hábil para testar a validade das notas, Cassiel no momento anotou a placa meio nas correrias, viu que a placa conferia com a placa que São Tião pediu para conferir, era a mesma.

            Ao preencher a ficha na recepção, foram escritos os nomes de Dana, agora Cassiano constatou que se trava de sua namorada nos compartimentos do Paraíso Celestial, Dana pediu que Cassiel mostrasse a notinha com o valor, ela disse que pagaria as despesas, pois aquelas notas eram falsas, disse em tom de brincadeira, e assim disse 

— As minhas são mais verídicas. (ela não era muito diferente da Dana lá do Paraíso)

        Cassiel era o gerente dessa pousada e posto de combustível, e já foi logo tratando de arrumar um     emprego nessa firma, ela não sabia que esse jovem era Cassiel, não se lembrava mais, Cassiel era muito namorador, lógico que Dana continuou com o namoro, isso já vinha de longa data, não se sabes por que mas aqui na terra Dana era mito comportadíssima, Cassiel não sabe, mas São Tião incentivava para os encontros amoroso de Dana, aí as promiscuidade da moça namorada de Cassiel, logo surgiu um sinal para Cassiel comparecesse na sombra da figueira as próxima à lagoa, Cassie foi encontrar com o mestre novamente, debaixo da grande árvore percebeu a chegada do São Tião que foi logo de imediato começando um diálogo:

         — Saúdo meu querido Discípulo, vamos conversar (San Tião se apresentando)

         — Saúdo Mestre, a que viesse, estou a seu dispor (Cassiel)

        São Tião deu uma longa gargalhada depois disse.

         — Aquele motorista era eu, mas me apresentei de barbas raspadas, não percebeu não.

         —Não sei de onde o senhor arrumou aquele carrão, onde pegou a moça? (Cassiel)

         —Não pergunte a mim, pergunte a Deus, O grande Arquiteto do Universo sabe de tudo, ele é dono de tudo, nós estamos subordinados a ele, ouviu isso meu discípulo? (Cabeça Branca)

         —Sim, Sim! (concordou)

Não me venhas com orações que eu não atendo por orações. (Cabeça Branca São Tião) Ah, já ia me esquecendo, cuide bem de João Moreno, ele é um dos privilegiado). Me aguarde a qualquer instante.

 

E-mail (antoniob151@outlook.com)

28/maio/2025

 

 

 

 

 

 

 

 

   

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terça-feira, 24 de março de 2026

O VELHO CAMINHONEIRO.

  

O VELHO CAMINHONEIRO.

(Antônio Herrero Portilho)

Foi naquele meio de manhã, mais ou menos dez horas. Descia com meu caminhão aquela estrada solitária, estava um pouco pesado, na carroceria ia uma máquina de beneficiar arroz que seria montada, além de outros implementos agrícolas para tração animal, este frete destinava a um senhor que morava em um pequeno patrimônio, um simples comerciante, já estava próximo, bem ali a uns cinquenta quilômetros, chovia e parava sempre em intervalos breves, muita enxurrada, mas não esburacou a estrada calçada de pedra, vivíamos em plena estação das águas, chovia muito nesta região.

Em plena ameaça de desabar um grande temporal, lá estava uma senhora caminhando sobre as margens dessa estrada, defendia dos pingos que já ameaçava caindo quando já se aproximava mais um pé d’água, chuva que não parava mais, o limpador do para brisa quase não dava conta de rapar todo esse aguaceiro.

Com um pano na cabeça, quer dizer; um embornal, tipo de sacola para carregar pequenos objetos, e caminhava um pouco que apressada, resolvi parar e dar-lhe carona assim que ela deu com a mão, parei o bruto e chamei para que esta pessoa entrasse para a cabine, logo se acomodou e perguntei para onde estava indo, disse que pretendia chegar até esse mesmo patrimônio ali bem próximo, perguntei seu nome, me informou.

- Meu nome é Filomena, Filomena, mas o povo por aqui me conhece como dona Filó, sou muita conhecida por estas redondezas, moro á muitos anos por aqui.

- A senhora saiu mesmo sabendo que ia chover, pensando bem esse pedaço de estrada é bem longa, consegue fazer esse trajeto á pé? Disse perguntando com admiração a senhora Filó; o senhor Alcebides.

- Eu precisava muito de alguns remédios caseiros, fui buscar algumas raízes ali naquela mata, saí bem cedinho de casa, também peguei carona quando vinha, cheguei ainda estava escuro.

Quanto a longa caminhada não teria problema, tenho uma nora que mora bem ali na curva da estrada, mora em meu pequeno sítio, quer dizer... De propriedade familiar, era só chegar passar o dia e talvez a chuva e depois do almoço, pegaria outra condução e voltaria para minha casa lá na vila, meu filho completaria este pedaço de estrada até chegar ao patrimônio, todos os dias o trator vai até o vilarejo para entregar o leite na cooperativa, aí me embarco de carona no trator.

-Muito bem dona Filó, a senhora gosta mesmo de botar o pé na estrada, já estamos bem próximo da casa de seu filho, caso a senhora queira parar por lá para fazer uma visita á seus netinhos, deixa que eu estacione lá bem na porta.

– Caso não for te incomodar faça isso para mim, acho que já está na hora do almoço, estou até sentindo o cheiro da comida, com a mão apertando a barriga de mostrando sentir fome.

- Está vendo, essas terras aí, já foram minhas, meu esposo foi dono disso tudo que você vê, eu morava bem ali na beira da mata, quando precisava de colher minhas ervas não era longe de meu alcance, vendemos uma boa parte desta fazendinha, deixei aquela gleba para meu filho que já casou-se, onde eles moram até hoje, no outro lado da estrada havia uma vila com mais de seiscentos moradores, tudo foi destruído, só restou àquelas marcas e sinais de como já houve gente morando ali.

- E os remédios? Como fará para atender seu amigo doente? Perguntou seu Alcebides interrompendo os relatos da senhorinha saudosa.

- Esse trabalho ficará para próxima semana, conforme foi combinado, foi um senhor que me procurou para que curasse seu filho que está muito doente, eu já sabia qual seria a cura para aquela doença, existe dessas plantinhas lá naquela mata, fui extrair raízes para fazer chá, e já estou com elas aqui em meu embornal.

– Interessante! Seu conhecimento com as plantas que curam, milita neste ramo á muito tempo? Perguntou com curiosidade seu Alcebides.

- É herança de família, de pai pra filho, de avôs para netos e ai por diante... Não cobro nada pelos meus trabalhos, eu os pratico por caridade, Algumas vezes pessoas me procuram, se curam e até me faz doações espontâneas, eu agradeço pelo valor, mas na verdade eu não faço minhas rezas pensando em lucros, fico feliz quando encontro essas pessoas que se curaram e depois vem me agradecer, só isso já me pagou tudo.

- Gostaria que só existissem pessoas como a senhora por este mundão á fora, precisamos praticar o bem e não olhar a quem, completou o pensamento de dona filó o senhor motorista condutor.

Der repente o caminhão caiu com os pneus em um buraco provocando um solavanco, vi quando o saco de pano caiu no assoalho da cabine expondo uma porção de velas luminárias, parecia que dona Filó retornava de um trabalho espiritual.

- Isso são velas dona Filó? Perguntou seu Alcebides com tom de desaprovação.

- É sim, além de colher meus remédios, também aproveitei para fazer uma oferenda á meu guia protetor; Caboclo.

Respondeu dona Filó com tom em acanhamento, meio que escondendo o rosto certo que ela seria desaprovada por essa atitude religiosa.

- Pode ficar á vontade, não se preocupe, não tenho preconceito de nada neste mundo.

Enquanto engrenava as marchas exigindo mais força no motor nesse trecho íngreme, disse assim a fim de conforta-la. - Pode ficar sossegado meu amigo, não faço mal a ninguém, nem por qualquer dinheiro que me pagues, eu sou da paz.

Reiterando procurando a confiança desse senhor.

Faço meus artesanatos, costuro, tricoteio, em renda e nas horas vagas também aguardo meus visitantes para encontros espirituais, pratico minhas caridades, já curei muitas doenças, também sou parteira, muitas pessoas que você vê por aí nessas fazendas e estradas passaram pelas minhas mãos na hora de nascer.

- Prazer senhora, meu nome é Alcebides, estou já a algum bom tempo trabalhando nessa rota, estradas, hora carrego sacarias e até todos os tipos de cargas, já vi muitos fatos por aqui nestes caminhos parece que essas estradas são mesmo cheios de coisas de outro mundo, sempre deparo com essas histórias verídicas, mas não tenho medo dessas coisas não, tenho ali no para brisa um retratinho de minha santinha protetora, tá vendo lá?

- Eu também tenho muita devoção a essa santinha, a imagem dela está lá no meu congado junta com meus pretos velhos e caboclos. - Quando eu estou em apuro sempre me apego á ela, e olha que sempre consigo me superar de qualquer que forem os obstáculos em minha vida disse seu Alcebides emocionado de fé. - Pronto!... Chegou á casa de sua nora. Frenei o bruto, dona Filó pulou da cabine enquanto seus netinhos vieram todos de braços aberto prontos para sentir o arrocho de um abraço.

A nora veio cumprimentar e agradecer pela visita, aproveitou para despedir de seu Alcebides que nesse momento deu partida e logo começou a se movimentar deixando rastos nessas estradas sertanejas.

 Seu Alcebides recebe uma mensagem misteriosa.            Os índios á beira da estrada.

 Eu sentia umas dores localizadas á baixo das costelas, me incomodava muito, às vezes pensava que poderia ser mau jeito ao sentar para dirigir o caminhão, apesar de incomodar muito, não dava importância, achava coisa simples, mas ainda pensava que poderia agravar ainda mais.

 Naquela manhã enquanto conduzia o bruto percebia as pontadas, poderia eu revelar esse meu problema para aquela senhora, mas resolvi ficar calado, sou meio incrédulo nessas coisas de benzer, sou mais medicina.

 Enquanto eu rodava tranquilamente surge ao meio da estrada lá frente uma surpresa, uma tribo de índio a beira da estrada, um deles deu com a mão pedindo para que eu parasse, eu fiquei um pouco assustado, ninguém sabe a intenção destes selvagens, às vezes são agressivos, outra coisa, para mim é novidade encontrar índios nessas regiões, não estou entendendo, nunca se viu falar de tribos indígenas nestas localidades.

 Parei o bruto bem ali em meio a tribo, falaram em línguas enroladas uns ao outros, assim como se estivessem fazendo reunião, um deles pediu para que eu esperasse, daí á pouco o chefe deles terminou sua ordem falatório e me aproximou para bem perto e me disse:

 - Recebi um recado de dona Filó agora nesse momento, ela me disse para que o senhor procure dessa raiz... nome, anota aí, planta vai curar esses problemas que o senhor tem no fígado, só essa raiz pode lhe curar, procure lá na mata, tem muito dessas plantas.

Explicou o formato das folhas, o tamanho até o cheiro que exalava e a fórmula de cozer este unguento... Para falar a verdade eu já conhecia essa planta, ficaria fácil reconhece-la novamente.

O nativo insistiu para que eu anotasse, repetindo as palavras. Peguei meu caderninho de anotações diárias e estiquei o braço tomei posse de minha caneta que estava bem ali fixada no painel, usava para marcar quilometragem, troca de óleo, abastecimentos, peças de reposições e mais outras coisinhas.

 O índio cacique disse o nome da raiz, anotei por obediência e educação, não dei muita relevância, mas pelo sim ou pelo não... Vamos lá.

Guardei o caderninho e a caneta no portas luvas do painel e segui viajem, fiquei com aquilo em mente, eu não havia revelado que eu sentia dores, não disse nada desses males, como dona Filó ficou sabendo?... Como esse recado chegou até o índio cacique?... Sabendo que já havia desembarcado dona Filó bem lá atrás na estrada, e ainda mais, esses índios que apareceram assim do nada, fiquei meio apreensivo com essa história, assim tão esquisita.

 No destino; A entrega das mercadorias.

 Toquei a minha viaje em frente, cheguei ao endereço do destino lá pelas três horas da tarde.

Demorou um pouco para localizar os chapas (descarregadores) esses ajudantes tiveram que vir dos que trabalhavam na roça. Agora Já descarregava as mercadorias juntamente com as peças e implementos agrícola, isso quando os ponteiros do relógio aproximavam das cinco horas da tarde, fiquei por ali aquele resto do dia e pernoite, deixei para pegar a estrada pela manhãzinha do dia seguinte, estacionei meu caminhão ali debaixo de uma enorme pé de paineira, tranquei e nem precisei tomar certos cuidado, ali ninguém mexia nas coisas alheias, raramente acontecia algum caso de furtos, vila pacata de mais, dessa vez não passei a noite na cabine do caminhão, fui procurar outro refúgio apesar de poder muito bem me acomodar nos confortos que havia nos espaços dessa boleia, e até um beliche, espaçosa e confortável, mas resolvi procurar uma cama em algum quarto por aí, dona Sofia, minha companheira nas horas de aflição, só estava aguardando fechar seu humilde estabelecimento para que nós fossemos dormir um pouco, eu estava muito cansado, precisava de uma cama bem macia e  um par de ouvidos para escutar minhas reclamações, disse de minhas dores á baixo das costelas, ela tentou me ajudar assim da maneira que mais confiava.

Enquanto falava do remédio que poderia me curar eu acabei por pegar no sono, nem ouvi as conversas por inteiro, acordei bem de manhã, enquanto Sofia e seus caprichos na cozinha, havia até feito o café.

Corri até no caminhão que estava bem perto, liguei o motor e deixei funcionar por um pouco antes de pegar a estrada, isso é muito benéfico para a conservação do motor, deixar o óleo lubrificante agir por alguns minutos no motor até que a temperatura esteja na altura de pôr para rodar esses pneus nas estradas.

 Despedi de Sofia, a beijei a face, ela me disse para que eu procurasse um médico para resolver esses problemas de saúde, foi o que fiz, logo que retornei á minha casa mais que depressa fui procurar um médico para consultar essas minhas dores, fiz os exames ai fiquei sabendo de uma notícia meio que ruim, disse que eu teria que fazer uns exames mais detalhados, precisos.

Havia um pequeno tumor em meu fígado, o médico me disse que poderia ser algo maligno, fiquei muito preocupado, acho que meu mundo caiu,  muito depressivo, angustiado enlouqueci com o resultado do exame e logo fui tomar essas providências, mas também tinha outra opção, acreditar no remédio que a carona daquele dia me indicou através do cacique índio naquele dia misterioso, disse que essas dores só se curavam com o remédio daquela plantinha que agora comecei a pensar sério nesta possibilidade, no outro dia bem cedo peguei o meu carro de passeio e rumei a esses locais que dona Filó disse que tinha muitas das quais plantinhas, parei o carro a beira da estrada e fui logo correndo em direção da mata, quando adentrei naquela vegetação parece que já senti umas vibrações em meu corpo, como se tivesse algo me impulsionando, quando cheguei bem ao meio dessa reserva florestal algo me surpreendeu, havia muitas plantinhas daquela indicada pela dona Filó.

Fiz do jeito que ela me disse, arranquei um feixe, amarrei com cipó e quando eu ia saindo da floresta, pedi licença para os Deuses da natureza, para que me apoderasse destas plantas, prestei minhas orações assim como a senhora disse.

Depois de rodar muitos quilômetros cheguei de volta á minha casa com aquela convicção que a minha cura estava na planta, por esta semana que antecedia os meus exames médicos aproveitei para tomar o remédio indicado.

Com o caderninho de anotações em mãos pratiquei aquela receita do jeito que estava escrito assim como o cacique indígena me transmitiu á mando de dona Filó. Tomei por sete dias assim como houvera dito.

Quando fazia seis dias do tratamento caseiro, percebi que essas dores já haviam acabado, mas mesmo assim obedeci às ordens médicas, fui aos exames que me daria os resultados ao quais os médicos me suspeitavam, passei por uma bateria de exames, teria que retirar os resultados daí três dias, fiquei muito emocionado, apreensivo, mas confiava que o remédio da senhorinha havia me curado, pois já não sentia nenhuma das dores.

Pronto chegou o grande dia, logo de manhã retornei ao médico, ele me fez um pouco de suspense, disse palavras técnicas, foi fazendo rodeios aí ele me disse definindo:

- Não há nenhuma presença de qualquer que seja a natureza de doenças, o senhor está gozando da mais perfeita saúde. Pode pegar seu caminhão rodar por essas estradas com muita tranquilidade, o senhor não tem nada isso que os exames constam, saúde perfeita, está encerrada nossas consultas, vá em frente, passar bem.

 05/03/2016/ 21:07 – Antônio Herrero Portilho


  

domingo, 15 de março de 2026

(Espiritualidade) - O CALOR DO AMOR.


 

O CALOR DO AMOR


Depois daquele dia fatal, Nandinho deixou o grupo, foi por causa da morte de um cachorrinho de estimação de seu amigo morador de rua, viviam debaixo de uma marquise que anexava a um túnel para pedestre desativado ali a Rua Santa Maria em uma pista que passavam cruzando a cidade, mais adiante dali a uns quarentas metros foi construída uma passarela com facilidade de acesso ao outro lado da pista.                          

Aquele grupo de indigentes se acampava debaixo de uma proteção que haviam construído para esperar um transporte coletivo que ladeava essa pista rumo às vilas daquela cidade. O rapaz andarilho estava a rondar aquela cidade em busca de um lugar seguro para ficar, não gostava de dormir sozinho pelas aquelas vias, ouviam-se muitos casos de assassinato de andarilho naquelas noites, ele muito se preocupava com esses atos covardes, tirar a vida de um indefeso só por motivo banal.

Foi uma grande perca... perder seus amigos que sempre acompanharam nas lidas cansativas de juntar recicláveis, mas teve que sair por força dos amigos que diziam ser ele o causador da morte do cãozinho, mas o rapaz era inocente, não foi Nandinho.

Depois de quilômetros andados chegou de frente de uma velha obra abandonada, pensou em entrar mais ficou com medo, já era noite não podia adivinhar os perigos que poderia encontrar nesse local, deu a volta pelo outro lado e foi observar direitinho, quando dobrou a esquina, que virou para o outra da rua aí foi que ele viu que havia alguém se acampando por ali, percebeu labaredas, tinha um fogo por ali, estava certo que tinha alguém se acalentando próximo às chamas, entrou e foi cumprimentando esses povos sem teto. 

 

- Oh amigo, estava passando por aí, vi um clarão aqui, entrei só para dar uma olhada... Como vai vocês? (disse Nandinho com ar de que está forçando uma conquista de amizade.)

- Aqui estamos tudo bem na medida do possível, esse grupo já está completo, é melhor você cair fora, já somos oitos acampados aqui, não tem espaço para mais ninguém (senhor Alfredo disse com autoridade, se achava o líder, queria ditar as regras no grupo de mendigo. (De cócoras e seu rosto bem próximo às labaredas esfregava as palmas da mão, arrepiado e tremendo gelado, o frio estava intenso.)

- Oh... deixe ficar seu Alfredo, Nandinho eu conheço muito tempo, gente boa (essa fala era de mulher, em meio ao escurinho foi dito debaixo de algumas velhas coberta junto com umas meias dúzias de criaturas deitadas entre o concreto gélido e algumas graminhas feito forro de dormir)

- Pronto Maninha, já me convenceu, vou deixar Nandinho ficar por aqui essa noite, que sacrifício eu não faço a você né?  Minha querida Maninha..., mas só essa noite, amanhã pode pegar o caminho de volta, chispa já, suma dessa turma, aqui não tem pra mais ninguém. (O velho falou meio contrariado, concedendo a chance de ele ficar só até amanhã)

Ele estava com o peito ferido, angustiado com sentimento de rejeição, fazia parte de outro grupo, teve que sair às pressas, houve um desentendimento, e um daqueles homens o ameaçava de morte caso ele persistisse em acompanhar aqueles andarilhos, por isso procurava outra turma em que pudesse acompanhar, poderia se encachar muito bem nesse novo grupo desses amigos, mas parece que não foi bem recebido, seu Alfredo era um velho muito mal, ditava regras e disciplinas muito rígidas, não era qualquer um que se adaptava aqueles regimes, por isso aquele grupo nunca crescia.

 

O novato se afastou dos outros uns dez metros dos que já estavam lá, achou um lugar bom, era debaixo de uma escada nessa construção não acabada abandonada, colocou seu saco de tralhas ao chão, agachou e começou a retirar de dentro objetos e roupas para fora de sua mala, tipo saco meio que azul marinho, não estava muito limpo.

Seu Alfredo; o homem mal disse com autoridade ao Nandinho:

- precisamos de comida, estamos com necessidade de matar a fome desses nossos amigos aqui acampados, ele  fica responsável para essa obrigação, se é que quer mesmo acompanhar nossa turma, agora veremos se ele é mesmo bom para conseguir as ajudas, conforme os resultados será um dos nossos, pode ir a campo, ainda é cedo, hora que os ricos estão comendo, vejamos se você consegue amolecer corações dessa gente que tanto esperdiça alimentos, muitos deles até nos nega, mas quando é no outro dia cedo jogam aquelas enormes tigelas de comidas que estragou no lado de fora da casa.

Certeza que ele teria um lugar para conseguir a boa comidinha até quentinha, atravessou a pracinha, caminhou uns quatrocentos metros, ele chegou a grande mansão, ali estava os corações bondosos, era de religiosos, mas se tratavam de uma família de espíritas e católicos, sempre estavam com as mãos estendidas para ajudar os necessitados. Por coincidência ou não quando esse rapaz se aproximou da calçada lá vinha a doméstica a regar o pé de palmeira que haviam plantado à alguns dias anterior.

A moça depois de jogar a água nas plantas foi logo perguntando o que ele queria quando estava de pé em frente do portão.

- O que está fazendo aí rapaz?

 

- Preciso de comida, estou com fome, a senhora pode me arrumar algo, nem que for um pouquinho para enganar o estômago?

- E como se chama o senhor? Posso saber seu nome?

- Sim... Eu me chamo Nandinho, a senhora não se lembra mais de mim? Já tenho vindo outras vezes aqui, até peguei muita sopa que vocês me mandavam quando eu estava em no outro acampamento.

- Ah... Agora me lembro do senhor, do Nandinho, nós estávamos aguardando sua volta, até a patroa estava sentindo sua falta, fique tranquilo, vou arrumar um pouco de uma sopa, tá uma delícia, comi uma tigelada, aguarde um minutinho.

Seus olhares fixos naquela porta esperando que abrisse, e eis que logo aproxima a senhora doméstica com uma grande tigela de sopa, quente que até fumegava, o rapaz perguntou se hoje ia distribuir sopa para os irmãos de rua, sentia a precisão de ajudar os amigos acampados ali próximo a uns quinhentos metros.

- Precisa aguardar até as 22hs00 pode aguardar, estaremos lá, a proposito em quantos são vocês?

- Comigo já são nove está bom, vamos aguardar, trouxe essas roupas para que você se agasalhe do frio, estão boas, foram usadas até poucos dias passados, tome é seu.

 Ele vestiu aquele casaco, comeu aquela sopa que veio por antecipação, agora ia aguardar as dez da noite que já faltavam alguns minutos para presentear os amigos, queria ele chegar junto com o veículo que fazia a distribuição, esperou um pouco e chegou ao grupo, enquanto que todos perguntaram em uma só voz:

- Onde está a comida que você prometeu, não conseguiu?

- Consegui sim, já tá para chegar, só uns instantes, logo chega.

Ao mesmo tempo em que se exigiam o combinado buzinaram lá à frente, era o pessoal da distribuição, chamaram todos ali pra perto, fizeram uma oração de agradecimento e foram repartido o saboroso alimento, até guardaram um pouco para mais tarde, todos foram para a caminha de barriga cheia. Agora Nandinho ganhou a confiança de todos, o sono veio igual para todos, acordaram todos de barriga cheia.

O rapaz andarilho pegou a andar naquela avenida, desceu a ladeira, andou uns cinco quilômetros para chegar até ao seu antigos amigos de jornada, todos saíram para a cata dos recicláveis, mas seu desafeto estava lá, parece que estava meio adoentado, não se sabe se foi pela morte do animalzinho de estimação, pode ser eles eram amigos inseparáveis; o homem e seu fiel amigo de quatro patas, Peron acusava Nandinho pela morte do cachorro, mas não foi ele, queria explicar a ele que era inocente dessa acusação, mas parece que Peron não queria desculpas, tinha que ser quem ele dizia, não tinha elementos de provas, só acusava.

- Peron, como está?... Já melhorou meu amigo?

- ainda não estou fraco, eu não me alimentei, dormi pouco, arrependi da briga que tivemos.

- Bobagem me dê aqui um abraço, somos amigos novamente, mas esquecer de meu totó não consigo.

- Não, não, não matei seu cachorro, ele ainda está por aqui por perto, sempre presente no coração amoroso de seu dono, o outro que te falou que fui eu, mentiu, falou aquilo só para me meter em encrenca, não acredite.

- Vou provar que seu cão ainda está por aqui entre nós, vou assoviar e chama-lo, veja lá.

O jovem indigente tinha poderes místicos, parece que conversava com os bichos, pássaros, animais domésticos, ele chamava assoviando pelo nome do cachorro, de repente veja quem vem lá, totó vinha em uma disparada carreira, as orelhinhas estendidas para trás, línguas salivantes e seu rabinho parecia um foguete.

- Meu deus, como que eu posso acreditar nisso, meu totó está de volta (enquanto que o cão fazia a maior festa, lambendo até a boca de seu dono, Peron retribuía os carinhos do animal, ficou muito contente e dizia.

- Amanhã vamos novamente encher nosso carrinho de tudo que foi usado e que só serva para a reciclagem, não quero separar nunca mais se você meu belo e fiel amigo totó.

Nandinho tocou suas costas com a mão, deu três tapinhas no ombro do velho amigo e foi logo explicando o que ainda não estava muito certo.

- Peron meu amigo, tenho que dizer algo, você tem que aceitar essas palavras que são duras, mas você tem que ser homem para não ficar triste, seu totó não pode mais ficar aqui, agora ele está morando no céu dos cachorrinhos, você tem que aceitar isso, meu amigo, despeça de seu amiguinho, já está na hora dele ir embora,

mas não chore, ele estará sempre no seu coração, seu cachorrinho foi atropelado na avenida, lógico que nunca seria eu o motivo dessa maldade.

O animalzinho foi saindo parece que estava chorando, rabo entre as pernas e gania entre latidos de dores, e acabou por desaparecendo atrás de uma pilastra de concreto.

- Quero que você volte para nosso grupo que é seu também.

- Já me acomodei em outros amigos, não voltarei mais,

Nandinho seguiu o caminho de volta por aquela avenida, quando ele colocou a mão nos bolsos do casaco, percebeu alguma coisa, retirou do bolso, era um pacote de dólar juntamente com um belo relógio Suíço de valores altíssimo, algo muito valioso, o rapaz acelerou os passos e logo estava novamente de frente a casa dos milionários que lhes mataram sua fome, tocou a campainha e falou na campainha e disse,

- Oi, vocês me deram aquele casaco, mas ele tinha grandes valores no bolso, quero devolver, sou o Nandinho, lembra não?

- Aguarde aí que a patroa está de saída e fala com você, é um minutinho só.

- Dona Carmela ao passar pelo portão Nandinho esticou o braço e entregou a patroa tudo que achou nos bolsos do casaco que fora doado ontem, a senhora agradeceu e deu a ele uma gorjeta, para seu Nandinho era uma bela quantia, agradeceu e voltou para junto a seus amigos.

 

09/6/2019/ antherport.

 

 DE VOLTA AO PLANETA TERRA

 

 Eu venho de longe, das sombras da eternidade, eu não conhecia a luz, havia perdido minhas lembranças, me encantei com tanta beleza, agora vejo as cores limitando esses contornos nesses variados desenhos, meu sentimento nesse momento é como se estivesse revivendo algo que faz parte do passado, sensação de saudade, até parece que vivi aqui em outras épocas, quem sabe?

Vejo!...uma casa no final dessa alameda, dentre tantas casas, por que essa me causou tanta nostalgia, vou verificar de perto, o que foi realidade para mim, hoje está transformando em um sonho em realidade, quando parei de frente aquela casa, parece que minha memória foi ativada, senti com uma explosão aqui dentro de minha cabeça, aquela casa tinha tudo a ver com meu passado, os meus olhos retrataram aquela fotografia; o alpendre, a janela do quarto da frente que era do meu pai e minha mãe, fiquei ciente, essa era mesmo a minha casa antes de meinha passagem, eu vivi aqui quando criança, foi uma morte prematura, cresci e me desenvolvi em outro cosmo além planeta terra, hoje tenho dezoito  anos pela contagem dos mortais, me veio como impulso a sugestão de chamar, tocando essa campainha, aguardei uns instante e logo apareceu do outro lado do vidro da porta uma moça loira de olhos azuis de face bem delineada, confesso, as minhas carnes tremulavam eu sentia que algo estava preenchendo meu corpo, essa moça tinha o rosto muito parecido com o meu, fiquei chocado e muito emocionado revestido desses sentimentos próprio desses terráqueos dessa esfera terrestre. Depois que abriu a porta percebeu que esse moço parecia muito com ela, mas ficou preocupada, sentiu que esse rapaz estava passando mal, ela achou que poderia ser um amigo da faculdade, tem conhecimento que existe um amigo que estuda com ela que parece muito com, não tinha muita certeza, fazia poucas semanas que havia recomeçado as aulas, a turma era recente, mas porem não era bem assim.

A moça preocupada com estado de saúde do rapaz, levou o para dentro de casa e serviu um copo de água bem geladinha para que ele se despertasse desse passamento, ele se sentou e continuou com os olhos fechados por alguns minutos, aos poucos foi se refazendo do susto e voltando ao normal, 

os olhos, nesse momento sentiu uma pontada de dor aguda no lugar do coração, parecia que estava acordando de um sono.

Eloisa percebeu, ele estava com amnésia, não sabia explicar de onde veio, nem para onde vai, mas sentia saudade de todas essas coisas deixadas para trás, as surpresas era tão grande que ficou mesmo deslumbrado, olhando para o teto, paredes, portas, sentiu na vontade de se levantar, pediu para a moça se pudesse conhecer a casa toda, a moça permitiu, a primeira vontade de olhar, foi o quarto de sua mãe, olhou e ficou muito triste, a moça acompanhava ele pela casa foi mostrando tudo até chegou no quartinho de despensa; onde guardava os objetos que estavam em desuso, ele percebeu que seu berço ainda estava armado e seus brinquedos superlotava esse pequeno leito de dormir, o carrinho de pedal e o super homem era os seus preferidos, a moça observava que daqueles olhos azuis descia lagrimas em profusão.

Heloisa ficou preocupada com aquilo, chamou a mãe, as duas ficaram com a mente cheio de perguntas sem respostas. Logo Augustinho deixa a companhia de sua suposta irmã e segue para os fundos do quintal, o parquinho com os balanços, por incrível que pareça ainda estava lá em meio um gramado cheio de matos

Enquanto Augustinho estava a distância, sem ele saber mãe e filha discute esse acontecimento. Dona Cíntia e sua filha Heloisa estão chegando uma conclusão esse rapaz poderá ser a cópia de um filho já falecido a pouco mais de  duas décadas - era gêmeo com você, assim foi narrando a história – Foi em uma tarde do final de um mil novecentos e noventa e nove, sua tia, minha irmã como de costume saia pela tarde para passear pela cidade, naquele dia ela resolveu que levaria Augustinho com ela, iriam juntos até a sorveteria, fazia muito calor naquele quase final de dezembro, Augustinho estava envolvido com suas brincadeira e não queria acompanhar sua titia, ele insistia dizendo que não queria ir, mas por fim acabou cedendo as persuasão, Emília acabou convencendo e o levou, percebia que ele estava meio contrariado, mas lá ia titia Emília e Augustinho pelas ruas daquela cidadezinha tão pitoresca, ela atrás do volante de seu carro de fabricação nesse ano, passeava por essas ruas dessa estância turística, o pior veio acontecer, quando Emília tentava atravessar a avenida, a mesma rodovia que passava por dentro dessa cidade foi surpreendida com um caminhão carreta meio que desgovernado sem freios, não respeitou o sinal vermelho e veio colidir na lateral precisamente na porta do motorista... no carro de minha irmã, foi perca total, os dois morreram no ato da colisão, perdi meu filho, seu irmão gêmeo com apenas cinco anos de idade.

Enquanto o rapaz redescobria sua antiga morada, o papo mãe e filha continuava.

- Esse rapaz, tem tudo de meu irmão, não seria ele um contato além vida? Disse Heloisa para sua mãe.

- Verdade Heloisa minha filha, tenho experiência com espiritualidade, estou percebendo claramente, esse rapaz é o Augustinho que veio nos visitar, agora não sei como será o desfecho dessa história.

Logo chegou a noite, mãe Cintia arrumou uma caminha para que ele dormisse aquela noite, no outro dia Dona Cintia teria que dar um fim nessa história.

No outro dia bem cedinho, todos se levantaram para ver o rapaz, mas grande foi o espanto, a cama estava vazia, quando dona Cintia foi desfazer essa cama encontro debaixo do travesseiro um bilhete escrito em letras bem grande:

- Heloisa minha irmã, eu sou seu irmão, não sei se mamãe te falou daquele grave acidente ocorrido naquele dia, não percebi o impacto na hora da batida, felizmente não sofri nenhuma dor por fraturas e perfurações de órgãos, achei melhor assim que sofrer sequelas para o resto dessa vida como ser humano, imagino essa família uma grande árvore de grande extensão de raízes segurando esses galhos, frutos e flores, eu apenas fui colhido para a colheita da eternidade, infelizmente ocorrido na minha mais tenra idade, como fruto, ainda que nem  amadurecida por completo  nesse pomar feito esfera  terrestre.

Apesar de minha morada estar fixada em outros horizontes, mas no oculto ainda estarei horas ou outras vezes nesse grupo de irmãos, usufruindo da sombra refrescante dessa frondosa árvore feito família.

Agora voltarei para minha eterna morada para sempre.

(14/12/21/Antherport***

 

 

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARABALDES

OS GATOS VIRA LATAS DOS ARRABAUDES Antônio Herrero Portilho O gato Amarelão estava sempre passeando por ali naquela quadra, ele tinha mu...