LOUVORES E ENCANTO DE
MINAS GERAIS
De manhã os capins,
os arbustos ficaram todos carregados de gotas de orvalhos.
As folhagens se umedeceram de tão forte foi à ação
penetrante da neblina impregnando toda a plantação dês do caule até a raiz,
apesar da intensidade ninguém percebeu a ação deste fenômeno da natureza, tal
era a invisibilidade aos nossos olhos.
A aurora surge ao longe com os raios solares bem rasteiros,
toca a copa das árvores e refletem nos coqueiros, começa a clarear o chão
projetando sombras ao longe marcando este território em todas as direções.
Assim é o sertão: essas vias calçadas de terra serpenteando
por entre os campos indo ao rumo da serra, desbravando esses verdes cerrados,
aqui tão pertinho de nós, mas, distantes do povoado.
Esta época do ano nestas estações chuvosas se torna ainda
mais linda e viçosa, presente da natureza, tais quais estas delícias de frutas
silvestres que aqui nasceram, são naturais destes campos e matos.
A moça cabocla em direção do povoado vai, nas mãos segurando
o par de sandálias, com os pés no chão prefere caminhar descalços, os cabelos
presos com longas tranças chegam até o meio das costas, quanto mais simples as
vestimentas, mais demonstração de beleza e sensualidade.
Lábios vermelhos e olhares ágeis, atentos se esquivando dos
perigos que possam surgir durante estas caminhadas.
Naquele lugarejo tão longe da civilização está sempre
presente o sinal de fé destes povos sertanistas ali no povoado.
Uma capela toda imponente de pedra construída, os fiéis se
encontram para orar aos domingos e feriados na hora dos cultos, na missa.
Por entres estes caminhos em frente apreciando variadas
paisagens, cenas envolventes, gente humilde moradores destes casebres, nessas
paisagens tão belas desses enormes descampados.
Esses estreitos caminhos vão nos levar ao longe cada vez
mais. A poeira da estrada se levanta quando passam uma boiada ou qualquer tropa
de animais.
Esses nossos olhares alcançam distâncias imensuráveis,
sempre com novas expectativas que na próxima curva surja mais uma novidade.
Vejam! Brotando daquele espigão um maravilhoso regato,
escutem! Olhem estas corredeiras incessantes, cruzam nossos caminhos e passam
debaixo da ponte, logo ali existe uma grande represa, a fauna a beira dos
igarapés e nas ribanceiras barrancos largos, os patos e marrecos deslizam sobre
as superfícies das águas, nem se dá conta das profundezas dos lagos.
Indo em frente presenciamos outro quadro com riqueza de
detalhes, vindo em nossa direção um matuto montado em pelo no seu cavalinho
andando em ritmos compassados, devagar sem pressa de chegar, exausto; de suor
todo molhado, de chapéu com abas largas e no pescoço um lenço amarrado,
troteando e o ritmo dos cascos do animal provocando um som igual as cantigas
sertanejas em ritmos de uma toada.
Cavaleiro cuidadoso, uma das mãos segurando as rédeas, outra
com cigarro de palha preso aos dedos e de vez enquanto apertando entre os
lábios, nos momentos de distração soprando a fumaça ao vento, vai soltando
baforadas sem se preocupar com o correr do tempo.
Ele está em direção do roçado típica imagem do interior, a
capina, o trato laborioso com as plantas, demostrando tantos cuidados.
As fileiras de plantações; nas várzeas o arrozal ao lado do
milharal, os capulhos estrelados das lãs de grande brancura das lavouras de
algodão.
Existem ali também quatro ou cinco palmeiras de verdes
cintilantes, quando são tocadas pelos ventos se curvam, se abanam e se mostram
tremulante.
Os periquitos, os papagaios e as araras fazem grandes
algazarras à procura de alimentos, se agarram nos galhos das árvores, voam a
longas distancias com os frutos preso ao bico, depois de devorarem a poupa, as
dispensas, e deixando de semente o chão todo forrado, que ao prazo de poucos
anos, serão novas vegetações formando um novo cerrado.
Sobre esse céu azul que cobre essas planícies de regatos e
fontes.
Lá bem longe quase se apagando distante, algumas pequenas
montanhas vão se escondendo, nas tardes no começo da noite, o sol e a pequena
estrada que corcoveia e serpenteia vai se obliterando fugindo de nossas visões
se encontram no final da tarde no instante que as paisagens vão ficando tudo
escuro, os grilos e vários insetos festejam, fazem cantigas em som de acalanto,
der repente sem que nós percebemos, a terra neste hemisfério aos poucos se
cobre de negro manto.
A noite torna-se presença e logo vão ascendendo infinidades
de luzes que brilham no firmamento, as estrelas se apresentam como fagulhas piscando, o céu fica todo iluminado quando a lua dona da noite aparece em
instante nesse intervalo do entardecer ao amanhecer, para um novo dia nascer
com certeza virá tão brilhante.
Autor Antônio Herrero Portilho
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