sexta-feira, 8 de maio de 2026

A PAIXÃO DO CORRIMÃO

                                              A PAIXÃO DO CORRIMÃO


Estava eu aqui exposto,

estático preso neste piso de concreto.

Quase ninguém me via, 

fingiam que eu não existia, 

mas me usavam mesmo assim

estava eu assim tão quieto.


Quando tuas mãos pegavas em mim,

eu subia em direção ao teto,

tu apoiavas bem assim,


te sentia seu carinho 

teu calor, teu afeto.


Em momento impensado,

naquela atitude fatal,

tu vieste aproximando,

eu com minha pele tão fria,

neste meu brilho de metal.


Com milhares que me seguem,

neste vai e vem dessa vida,

dentre esta multidão,

que me apoiam,

tu és minha preferida.


Entre tantas mãos que me tocam,

nestas idas e vindas,

uma em especial me abraça,

é a tua minha querida.


Teu calor me acalenta

em situação incrível atrevida,

isto é próprio de você,

dentre todas as pegadas,

a tua é sem igual,


inconfundível na vida.

Quando tu me abraças,

teu quadril encosta a mim,

eu sinto uma comichão,

fico muito emocionado

tu me inspiras carícias,

e fico louco de paixão.


Quando te conheci

naquela vaga ocasião,

nada tinhas nas mãos,

sentia você tão livre,

agora estou apreensível

em perde-la tenho medo.


Algo denso me resvala,

estou sentido este apelo,

és ouro e não é anel,

és uma aliança que tu tens no dedo.


Estou sentindo acabado

me sinto um nada no chão,

plantado assim desprezado,


meu amor não me quer mais, 

estou certo que não.

Acho que fiquei de lado,

o que tinha a oferecer,

mas meu pedido não atendeu,

meu simples amor de corrimão.

 

Antônio Herrero Portilho

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