sexta-feira, 8 de maio de 2026

VIDA DE LOUCO.

 VIDA DE LOUCO

 

 

 

Fazia micagem,

desafiava instigando

 

em gesto obsceno,

 

falavas bobagens

 

com caras e boca,

 

quando imitava

 

um menino pequeno.

 

 

 

Provocava os moços

 

xingava velhos,

 

dizia com falas

 

em desatino.

 

Dormia o louco

 

em meio os escombros,

 

escondia assustado

 

de baixo às ruínas,

 

assim residia

 

se ocultava,

 

sobre o telhado,

 

já velho e quebrado

 

da casa da esquina.

 

cansado estava

 

de tanta investida.

 

pobre sujeito,

 

que triste sina.

 

 

 

Há vezes em sono,

 

ou acordado

 

falas se ouvia,

 

batendo pestanas

 

deitado enrolado

 

em grandes lamentos,

 

em trapos expostos

 

jogado ao vento,

 

em noites geladas

 

assim o dormia.

 

sofria gemendo,

 

chorava em lamentos.

 

 

 

Feridas em sangue,

 

seu corpo febril,

 

as chagas em dores

 

causava agonia,

 

em volta ao fogo

 

ardendo em chamas,

 

de braços cruzados

 

vibrava e tremia.

 

 

 

Sofrendo chorava

 

o pobre demente;

 

um homem insano,

 

se sentia preso

 

às correntes

 

em desespero

 

há vezes grania;

 

mas parecia

 

um cachorro sem dono,

 

coitado do louco

 

cantava e dançava

 

neste seu mundo

 

tão desigual,

 

que vida vazia,

 

que grande abandono.



 

Antônio Herrero Portilho



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